China condena à morte seis acusados por conflitos étnicos

Dois suspeitos e a polícia na Justiça da China
Image caption Dois homens acusados de envolvimento nos confrontos compareceram à Justiça

A Justiça da China sentenciou à morte seis pessoas acusadas de assassinato e outros crimes cometidos durante os conflitos étnicos de julho na região de Xinjiang.

De acordo com a agência de notícias oficial Xinhua, uma sétima pessoa, Tayirejan Abulimit, foi condenada à prisão perpétua depois de admitir acusações de assassinato e roubo e ter ajudado a polícia a capturar outro acusado. Estas foram as primeiras condenações ligadas aos conflitos em Xinjiang.

Os seis sentenciados à morte na Corte Intermediária do Povo, em Urumqi (capital regional de Xinjiang), seriam Abdukerim Abduwayit, Gheni Yusup, Abdulla Mettohti, Adil Rozi, Nurell Wuxiu'er e Alim Metyusup.

Segundo correspondentes, os nomes dos condenados sugerem que eles pertencem à etnia uigur.

Cerca de 200 pessoas foram mortas durante os conflitos entre chineses das etnias uigur e han. Os conflitos foram os piores das últimas décadas na China, com cerca de 2 mil pessoas feridas.

O governo chinês afirma que a maioria dos mortos era da etnia han, mas o grupo ativista exilado Congresso Mundial Uigur afirma que vários uigures também foram mortos.

Tensão

O protesto da comunidade uigur começou em Urumqi no dia 5 de julho, deixando pelo menos 197 pessoas mortas e outras 1,7 mil feridas.

Lojas foram destruídas e veículos incendiados. Centenas de pessoas foram detidas depois dos confrontos e, de acordo com a agência Xinhua, 21 pessoas foram indiciadas.

O protesto inicial ocorreu devido a uma briga em uma fábrica de brinquedos na província de Guangdong, do outro lado do país, que deixou dois chineses da etnia uigur mortos e outros 14 gravemente feridos.

No sábado, a Corte em Guangdong sentenciou Xiao Jianhua à morte e Xu Qiqi à prisão perpétua pela participação na briga na fábrica.

Outras nove pessoas foram presas com sentenças entre cinco e oito anos de prisão devido ao episódio violento na fábrica de brinquedos Xuri.

As tensões entre a comunidade uigur de Xinjiang, de maioria muçulmana, e a etnia han cresceram nos últimos anos. Milhões de chineses da etnia han mudaram para a região nas últimas décadas.

Muitos uigures querem mais autonomia e direitos para expressar sua cultura e religião do que o governo central chinês permite.

De acordo com dados do governo a respeito de Xinjiang liberados no mês de setembro, os conflitos de julho foram causador por separatistas uigures que defendem a criação de um Estado independente - chamado por eles de "Turquestão Oriental".

Os dados do governo também afirmam que, durante a violência 331 lojas e 1325 veículos foram destruídos ou queimados.