Governo britânico venderá R$ 45 bi em bens para reduzir déficit

Gordon Brown
Image caption Déficit britânico deve chegar a R$ 496 bi nos próximos dois anos

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, anunciou nesta segunda-feira a venda de bens do governo avaliados em 16 bilhões de libras (cerca de R$ 45 bilhões) em uma tentativa de reduzir o déficit do orçamento.

Estradas, imóveis, a linha de trem de alta velocidade atualmente utilizada pelo Eurostar – trem que liga o país à França –, e a rede de casas de apostas The Tote estão entre os itens que vão ser colocados à venda nos próximos dois anos.

O governo diz que a medida marca o início de uma reavaliação de quais outras atividades não-essenciais podem ser melhor administradas pelo setor privado ou em parcerias público-privadas.

Mas integrantes do governo também afirmam que, apesar de estas medidas serem importantes e de possivelmente evitarem o corte de serviços públicos ou o aumento dos impostos, o fundamental para a redução das dívidas será a restauração de um crescimento vigoroso e sustentável da economia.

Gordon Brown admitiu que o aumento nos gastos totais do governo precisa ser reduzido depois de abril de 2011 "com cortes de programas de baixa prioridade, aumentando a eficiência e a produtividade e reduzindo programas que foram criados para aumentar a demanda no último ano".

Em abril, o ministro das Finanças britânico, Alistair Darling, anunciou uma projeção de que o endividamento do Estado chegará a um recorde de 175 bilhões de libras (R$ 496 bilhões) nos próximos dois anos.

Oposição

Os partidos de oposição dizem que Gordon Brown terá que fazer muito mais para garantir que a Grã-Bretanha consiga viver dentro de seu orçamento.

Para o líder conservador, David Cameron, a venda de bens é "provavelmente necessária", mas "não substitui planos de longo prazo".

"Obviamente, precisamos fazer isso, mas - como toda família sabe - se você vende alguma coisa isso pode ajudar no curto prazo, mas não ajuda você a viver com o que você tem no longo prazo", disse Cameron.

"Então, ainda temos que lidar com os gastos públicos, lidar com o déficit e precisamos garantir que teremos uma boa relação custo-benefício."

Notícias relacionadas