Rússia reconhece ameaça do Irã e discutiria sanções, diz Hillary

Hillary Clinton na Universidade Estatal de Moscou
Image caption Clinton afirmou a Rússia poderá apoiar sanções contra o Irã

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse em entrevista à BBC que a Rússia mudou “tremendamente” nos últimos seis meses sua posição sobre o Irã e agora reconhece a ameaça imposta pelo país devido ao seu programa nuclear.

Publicamente, as autoridades em Moscou não admitem que cogitam medidas contra o país e dizem apostar na diplomacia para afastar Teerã de suas ambições nucleares.

Contudo, encerrando o giro de cinco dias pela Europa em Moscou, Clinton disse que representantes russos afirmaram, em uma reunião particular com ela, que estão prontos para discutir sanções mais duras contra o Irã caso o país não cumpra suas obrigações e a via diplomática não for bem-sucedida.

"Estamos totalmente de acordo sobre isto", afirmou. "E também estamos de acordo que, se nosso compromisso diplomático não for bem sucedido, então temos que analisar outras medidas, incluindo sanções, para tentar pressionar os iranianos."

O governo iraniano revelou recentemente que tinha uma segunda usina de processamento de urânio. No entanto o país insiste que não está desenvolvendo armas nucleares, ao contrário do que alegam Estados Unidos, União Europeia e Israel.

Apesar das afirmações de Hillary Clinton, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, disse nesta quarta-feira durante uma visita à China que ainda é "prematuro" falar sobre novas sanções contra o Irã.

E na terça-feira o ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, disse depois de uma reunião com Clinton que nas atuais circunstâncias, mais sanções poderiam ser contraproducentes.

Leia mais na BBC Brasil: EUA e Rússia prometem posição conjunta em relação ao Irã

Como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, a Rússia teria que apoiar qualquer nova sanção proposta contra o Irã.

Reunião

No início do mês o Irã concordou em participar de uma reunião em Genebra para permitir que inspetores da ONU entrem na sua segunda usina de processamento de urânio, que fica perto da cidade sagrada de Qom (centro do país), e também concordou em enviar para outros países urânio para ser processado.

Clinton afirmou que, com esta atitude, o Irã ganhou mais tempo junto à comunidade internacional. Mas acrescentou que o país também tem compromissos com a Rússia e com a China, que esperam que eles sejam cumpridos.

Depois de Moscou, Clinton partiu para a cidade de Kazan, a leste de Moscou. A viagem de cinco dias pela Europa incluiu paradas em Zurique, Londres e Belfast.

A visita de Clinton ocorre em um momento importante das relações entre os Estados Unidos e Rússia, de acordo com o correspondente da BBC em Moscou Richard Galpin.

Ao assumir o cargo, o presidente americano Barack Obama prometeu retomar as relações com a Rússia e uma reunião com Medvedev em julho indicou que o relacionamento entre os dois países estaria indo nesta direção, diz Galpin.

Desde então Obama atendeu uma das principais exigências da Rússia, de cancelar os planos de instalação de um escudo antimísseis na Polônia e na República Checa.

Os americanos insistem que não esperam nada em troca.

Entretanto, autoridades americanas afirmam que o governo dos Estados Unidos quer o apoio da Rússia, ou pelo menos não quer sua oposição, à ideia de o Conselho de Segurança da ONU impor sanções mais duras contra o Irã se o país não cumprir com suas obrigações internacionais.

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