Após acordo histórico, Turquia e Armênia se enfrentam em 'diplomacia do futebol'

Policiais protegem estádio onde partida será realizada
Image caption Esquema de segurança 'sem precedente' foi montado em Bursa

Em mais um episódio da chamada "diplomacia do futebol", Turquia e Armênia, dois inimigos históricos que tentam reatar seus laços políticos, se enfrentam nesta quarta-feira na cidade turca de Busra pelas eliminatórias da Copa do Mundo.

Se há pouco o que esperar do futebol a ser demonstrado na partida – nenhum dos times tem chances de ir para o mundial da África do Sul, no ano que vem –, fora do estádio o duelo está sendo apontado como um termômetro para registrar a reação popular ao acordo histórico que os dois países assinaram no fim de semana para reatar as relações.

A convite de seu colega turco, Abdullah Gul, o presidente armênio, Serzh Sargsyan, estará presente na platéia. É uma retribuição à visita de Gul à capital armênia, Yerevan, em setembro passado, quando a equipe turca bateu os adversários por 2x0 no jogo de ida.

Em uma demonstração de boa vontade antes da partida, o presidente turco disse que espera mostrar ao colega armênio "a verdadeira hospitalidade" de seu país. Ainda assim "medidas sem precedentes", segundo a agência oficial armênia Novosti-Armenia, estão sendo tomadas para evitar violência.

Sargsyan e seu ministro do Exterior serão vigiados por oficiais em quatro veículos da guarda especial do presidente. Centenas de policiais e membros de forças de segurança foram mobilizadas para garantir a tranquilidade do jogo.

Para evitar manifestações violentas da torcida, a venda de ingressos está sendo rigidamente controlada. A exibição de cartazes ou faixas contendo símbolos provocativos está expressamente proibida.

Serzh Sargsyan passará na cidade turca não mais que oito ou nove horas, o suficiente para assistir à partida e jantar com seu colega turco.

<b>Acordo histórico</b>

A precaução se explica por que o jogo está sendo visto como um termômetro à aceitação popular do acordo - histórico - que os dois países assinaram no sábado para normalizar as relações, após um século de hostilidades.

O entendimento ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos turco e armênio.

Image caption Acordo assinado na Suíça busca reaproximação histórica

Pelo acordo, a Turquia e a Armênia retomarão as relações diplomáticas e reabrirão as fronteiras que separam os países.

Na Armênia, houve protestos nas ruas na sexta-feira, já que, para alguns, o acordo não aborda o assassinato de centenas de milhares de armênios em 1915.

Centenas de milhares de armênios morreram em 1915, quando foram deportados em massa para o leste da Anatólia, pelo império Otomano. Eles foram mortos por soldados ou morreram de fome e doenças.

A Armênia faz uma campanha para que os assassinatos sejam reconhecidos internacionalmente como genocídio. Mais de 20 países apóiam a visão da Armênia.

A Turquia reconhece que muitos armênios morreram, mas afirma que as mortes fazem parte do histórico de vítima da Primeira Guerra Mundial.

Pelo acordo assinado no sábado, um comitê independente de historiadores será formado para estudar as mortes.

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