Países da Alba criam nova moeda para comércio no bloco

Líderes da Alba durante cúpula na Bolívia
Image caption Líderes da Alba também aprovaram sanções ao governo de fato de Honduras

A sétima reunião de cúpula da Alba (Aliança Bolivariana para as Américas) terminou neste sábado em Cochabamba, na Bolívia, com a aprovação pelos nove países membros da criação de uma nova moeda para substituir o dólar no intercâmbio comercial entre as nações do bloco.

A cúpula aprovou o tratado que constitui o Sucre (Sistema Único de Compensação Regional), mecanismo que deverá substituir o dólar nas transações comerciais entre os países do bloco.

Segundo as autoridades dos países-membros, o Sucre entrará em vigor no começo do ano que vem e poderá no futuro ser adotado como uma moeda comum pelas nações do bloco.

A Alba reúne nove países com governos de esquerda da América Latina e do Caribe – além de Venezuela e Bolívia, fazem parte Antígua e Barbuda, Cuba, Dominica, Equador, Honduras (apenas o governo deposto de Manuel Zelaya é reconhecido), Nicarágua e São Vicente e Granadinas.

No começo, a adoção do Sucre não será obrigatória para todas as exportações e importações no bloco.

Apenas Bolívia, Equador, Venezuela, Cuba e Nicarágua participarão do sistema em seu início. Os outros quatro membros deverão adotar o Sucre gradualmente no futuro.

“É um passo para a nossa soberania monetária, para nos livrarmos da ditadura do dólar, que o império ianque impôs ao mundo”, disse Chávez, que propôs a criação do novo sistema em novembro do ano passado, durante o auge da crise econômica mundial.

O nome do novo mecanismo é também uma homenagem ao venezuelano Antonio José de Sucre, um dos comandantes das batalhas pelas independências dos países sul-americanos no século 19.

Sanções a Honduras

Os membros da Alba também aprovaram sanções econômicas contra o governo de fato de Honduras.

Mas eles não conseguiram chegar a um acordo em relação à proposta do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de formar uma “aliança militar defensiva”.

Segundo Chávez, a aliança seria necessária para conter “as ameaças do império”.

“Por que não? Quem pode proibir a nós, países soberanos, de fazer uma aliança militar defensiva e trocar soldados, oficiais, treinamento, equipamento e logística?”, afirmou o venezuelano.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, que presidia a reunião, se declarou contrário à adoção de uma “resolução acelerada” e pediu mais estudos sobre o tema.

A cúpula acabou aprovando a criação de um comitê com o objetivo de “definir uma estratégia de defesa conjunta”.

Ironias a Obama

O discurso político durante o encontro foi contundente em reafirmar, sobretudo, a vocação socialista do bloco e ao acusar "o imperialismo e a direita" de tramar contra a Alba por meio do golpe em Honduras e da presença militar americana na Colômbia.

O presidente do Equador, Rafael Correa, pediu aos países do bloco que fiquem “muito atentos” porque, em sua opinião, “há uma restauração da direita” na região.

Honduras foi representada na cúpula por Patricia Rodas, chanceler do governo deposto.

Também compareceram à reunião em Cochabamba observadores de Uruguai, Paraguai e Rússia.

Durante a cúpula, Chávez também foi irônico com a concessão do Prêmio Nobel da Paz ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a quem pediu que faça jus à premiação suspendendo o embargo comercial a Cuba.

Em todas as vezes que citou o presidente americano, Chávez se referiu a ele, entre risos, como “Obama, Prêmio Nobel da Paz”.

O presidente venezuelano afirmou que o único merecedor de um reconhecimento semelhante seria seu colega boliviano, Evo Morales.

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