EUA condicionam decisão sobre tropas no Afeganistão a definição eleitoral

Soldados americanos no Afeganistão
Image caption Estados Unidos discutem o envio de mais 40 mil soldados ao Afeganistão

O governo dos Estados Unidos decidiu adiar qualquer decisão sobre o possível envio de mais tropas para ajudar na segurança do Afeganistão a uma definição sobre o quadro eleitoral após as denúncias de fraude no primeiro turno das eleições presidenciais, em agosto.

Rahm Emanuel, chefe de gabinete do presidente Barack Obama, disse em uma entrevista à TV nos Estados Unidos que seria “precipitado” tomar uma decisão dessa magnitude sem uma análise profunda do novo governo, para determinar se é “um parceiro verdadeiro”.

Os comentários se seguem às declarações feitas pelo senador democrata John Kerry, presidente da comissão de relações exteriores do Senado, de que seria irresponsável os Estados Unidos aumentarem seu efetivo militar no país enquanto os resultados das eleições permanecem em dúvida.

Os Estados Unidos vêm discutindo a possibilidade de enviar mais 40 mil soldados ao Afeganistão. Os Estados Unidos e a Otan já comandam mais de 100 mil soldados estrangeiros no país.

Kerry, que esteve no fim de semana em Cabul, é uma das várias autoridades ocidentais que nos últimos dias vêm pressionando o presidente Hamid Karzai a aceitar a realização de um segundo turno das eleições presidenciais.

Além do senador democrata, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, o ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, também mantiveram contatos com Karzai nos últimos dias.

As pressões ocorrem em meio a evidências de que Karzai pode não ter conseguido mais de 50% dos votos, necessários para evitar uma nova votação.

Investigações

Os resultados das investigações sobre as denúncias de fraudes no pleito do dia 20 de agosto, que devem ser divulgados nos próximos dias, devem indicar que a votação de Karzai ficou pouco abaixo dos 50%.

Os resultados preliminares divulgados pela Comissão Eleitoral Independente (CEI) davam a Karzai 55% dos votos, contra 28% para seu rival mais próximo, Abdullah Abdullah.

Em entrevista à CNN, Emanuel disse que os Estados Unidos querem primeiro estar seguros de que o governo afegão é capaz de se tornar um “parceiro verdadeiro”, capaz de governar o país.

“Seria precipitado tomar uma decisão sobre o nível da presença militar americana se, de fato, não tivermos uma análise profunda sobre se há um parceiro afegão pronto para preencher o espaço que as forças dos Estados Unidos criariam e que se torne um verdadeiro parceiro para governar o país afegão”, disse.

O general americano Stanley McChrystal, comandante das forças dos Estados Unidos e da Otan no Afeganistão, recomendou o envio de mais soldados para o país.

Mas Emanuel disse que o número de soldados americanos no país é uma questão secundária à questão sobre se eles trabalharão ou não ao lado de um governo afegão efetivo.

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