Paquistão mantém ofensiva contra Talebã na fronteira com o Afeganistão

Tanque do Exército paquistanês no Waziristão do Sul
Image caption Cerca de 30 mil soldados paquistaneses participam da operação

Pelo segundo dia consecutivo, neste domingo, o exército do Paquistão manteve sua ofensiva contra militantes do Talebã e da Al Qaeda na região de Waziristão do Sul.

Cerca de 30 mil soldados participaram da operação. Segundo o exército, cerca de 60 militantes e cinco soldados foram mortos.

Até 20 mil pessoas fugiram da região nas últimas semanas, em reação aos ataques do exército contra posições dos militantes.

As operações terrestres começaram após semanas de ataques aéreos contra alvos de militantes na região, próxima da fronteira com o Afeganistão.

O correspondente da BBC Syed Shoaib Hasan, que está na região de Waziristão do Sul, diz que os civis que estão deixando a região reclamam que o governo não os está ajudando.

Controle

As forças militares, com mobilizações em três direções, estão controlando os pontos de entrada e de saída da região.

Relatos locais são escassos, por conta da dificuldade e do perigo para o trabalho de jornalistas estrangeiros e mesmo paquistaneses na área.

Moradores de Tiarza dizem que as tropas paquistanesas forçaram sua entrada na cidade e estão usando artilharia em helicópteros para atacar as forças do Talebã nas montanhas da região.

O exército também teria estabelecido um posto de controle na entrada de Kotkai, a cidade-natal do líder do Talebã no Paquistão, Hakimullah Mehsud.

Mas segundo o correspondente Shoaib Hasan, ainda não está claro se a operação do exército tem conseguido o resultado esperado.

Pressão dos EUA

A operação militar é realizada após vários ataques coordenados do Talebã nas últimas semanas terem deixado mais de 150 mortos em diversas cidades do país.

A segurança foi reforçada em todo o país para tentar evitar que o Talebã faça contra-ataques.

O governo paquistanês vem sendo pressionado pelos Estados Unidos para combater a militância extremista nesta região do país.

O Waziristão do Norte e do Sul viraram redutos dos insurgentes, que de lá lançam ataques contra o noroeste do Paquistão e partes do leste do Afeganistão.

O Waziristão do Sul é considerado o primeiro “santuário” para militantes islâmicos fora do Afeganistão desde os atentados de 11 de setembro. O local conta com inúmeros campos de treinamento para militantes suicidas.

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