Filho de Mitterrand é condenado por tráfico de armas em Angola

Jean-Chirstophe Miterrand (arquivo)
Image caption Jean-Christophe Miterrand era conselheiro para assuntos africanos nos anos 90

Um dos filhos do ex-presidente francês François Mitterrand e um ex-ministro de governo da França foram condenados nesta terça-feira por envolvimento na venda ilegal de armas para Angola na década de 90.

Jean-Christophe Mitterrand foi um dos mais de 40 empresários, políticos e outras figuras públicas acusadas de envolvimento no acordo para fornecimento de armas no auge da guerra civil angolana.

Mitterrand foi condenado pela Justiça francesa a uma pena de prisão suspensa por dois anos. Com esta sentença, os dois anos de prisão não precisam ser cumpridos pelo condenado, mas se ele se envolver em outro crime neste prazo, precisará cumprir tanto essa sentença como a referente à nova infração que cometer.

Ele também foi condenado a pagar uma multa de 375 mil euros.

Mitterrand era conselheiro para assuntos relacionados à África do governo francês entre 1986 e 1992, época em que seu pai ocupava a Presidência.

Um ex-ministro do Interior francês, Charles Pasqua, foi condenado a um ano de prisão e a pagar uma multa de 100 mil euros pelo envolvimento no mesmo escândalo.

Subornos

Os dois foram condenados por aceitar subornos para facilitar acordos de venda de armas para Angola entre 1993 e 1998, o que violava a lei francesa.

Outros dois empresários, que tiveram um papel crucial na venda de armas, foram condenados a seis anos de prisão cada.

A promotoria acusou o bilionário russo-israelense Arkady Gaydamak e o magnata francês Pierre Falcone de serem os principais envolvidos no esquema de tráfico de armas que atingiu o valor de US$ 790 milhões.

Gaydamak e Falcone foram acusados de comprar um enorme arsenal de tanques, helicópteros e peças de artilharia e então vender tudo para Angola durante a guerra civil, por meio de uma companhia baseada na França e sua subsidiária no Leste Europeu.

Falcone, que acompanhou o julgamento no tribunal em Paris estando em liberdade, foi preso logo que a sentença foi proferida. Gaydamak permanece foragido e estaria vivendo na Rússia.

O escândalo, que levou 42 pessoas ao tribunal, foi chamado de "Angolagate" pela imprensa francesa, pois foram revelados detalhes de negócios obscuros envolvendo políticos, empresários, figuras públicas e armas – em uma trama que foi comparada ao “Watergate”, que levou à renúncia do presidente americano Richard Nixon em 1974.

De acordo com o repórter da BBC em Paris Alasdair Sandford, o caso prejudicou as relações entre os governos francês e angolano em um momento em que a França tentava aumentar o comércio com Angola, que é um dos maiores produtores de petróleo da África.