Em Caracas, Lula diz que Senado 'amadureceu'

Os presidentes Hugo Chávez e Luiz Inácio Lula da Silva (foto de arquivo)
Image caption Aprovação da adesão da Venezuela ao Mercosul coincide com visita de Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quinta-feira, em Caracas, que os senadores brasileiros "amadureceram", ao comentar a aprovação na Comissão de Relações Exteriores do Senado do ingresso da Venezuela no Mercosul. Agora, a decisão deve ainda passar pelo plenário do Senado.

"Ainda falta uma etapa que é a votação no plenário, mas estou convencido que os senadores brasileiros, depois de tanto tempo de debate interno, amadureceram e hoje eu acho que a grande maioria tem consciência da importância desta parceria", afirmou o presidente durante discurso na cerimônia de inauguração do Consulado Geral do Brasil e do primeiro escritório da Caixa Econômica Federal na América do Sul.

Lula, que chegou à capital venezuelana no final da tarde desta quinta-feira para um encontro bilateral com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse "sonhar" com o dia em que todos os países da América do Sul possam participar do Mercosul.

"Para ficar maior, mais forte, economicamente mais importante, comercialmente mais importante e politicamente muito mais importante", afirmou.

Venezuela

A adesão da Venezuela ao bloco foi aprovada depois de meses de discussões e polêmica entre parlamentares governistas e de oposição.

O substitutivo favorável à entrada da Venezuela no Mercosul, apresentado pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), foi aprovado por 12 votos contra cinco.

O relator, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), havia apresentado parecer contrário ao ingresso do país no bloco, que foi rejeitado por 11 votos contra seis.

O protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul foi assinado em 2006 e precisa ser aprovado pelos quatro integrantes do bloco. Uruguai e Argentina já ratificaram o ingresso do país. O Paraguai espera a decisão do Brasil para votar o protocolo.

Para o governo e empresários brasileiros, a entrada da Venezuela ao Mercosul, que é o quinto parceiro comercial do Brasil, abre as possibildiades de ampliação do comércio bilateral que no último ano registrou um fluxo de US$ 5,7 bilhões, com superávit de US$ 5,1 bilhões para o Brasil.

Leia na BBC Brasil: Entenda o que muda com a Venezuela no Mercosul

‘Milagre’

Entusiasmado com a integração sul-sul, Lula disse que o atual momento de integração que vivem os países da região "é um milagre".

"Isso aqui parece pouco, se a gente imaginar o que a gente quer para o futuro, mas se olharmos para um passado não muito distante, o que se pensava da relação sul-sul e o que se pensava da relação na América do Sul, isso aqui, para quem acredita em Deus como eu, é um milagre", disse.

Lula disse ainda que os países enfrentam adversários e uma doutrina colonial contrária ao processo de integração regional.

"Os adversários existem, os contras existem, é uma doutrina e doutrina não é coisa que a gente muda rapidamente com discursos. São anos e anos de persistência para que possamos consolidar cada degrau dessa escada da construção da integração da América do Sul e da América Latina".

Arrancando risos da platéia, Lula disse esperar que os países possam eliminar suas diferenças ao consolidar o processo de integração regional e que depois disso, "todos estaremos falando portunhol".

Agenda política

Logo depois da cerimônia, Lula seguiu para um jantar com Chávez. Além da entrada da Venezuela no Mercosul, os presidentes deverão discutir a crise política em Honduras, que completou quatro meses, e o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos para o uso de sete bases militares colombianas pelas Forças Armadas americanas, que será assinado ainda na sexta-feira, de acordo com o governo colombiano.

Na sexta-feira, os presidentes viajam ao município de El Tigre, no Estado de Anzoátegui, onde Lula participará da colheita da soja produzida em cooperação com a Embrapa.

No encontro, as estatais petroleiras PDVSA e Petrobras devem assinar o acordo de associação para a criação da empresa mista que deverá operar na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Outro acordo previsto é a adesão da Venezuela ao padrão nipo-brasileiro de TV digital. Além da Venezuela, Argentina, Chile e Peru já adotaram esse padrão.

Acompanham o presidente nesta visita, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o ministro de Comunicação Hélio Costa, e o Assessor Especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia.

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