Venezuela acusa paramilitares de matar militares na fronteira com a Colômbia

Image caption A tensão entre os dois países tem aumentado nas últimas semanas

O vice-presidente e ministro de Defesa da Venezuela, Ramón Carrizález, responsabilizou grupos paramilitares colombianos pelo assassinato de dois militares da Guarda Nacional venezuelana na zona fronteiriça com a Colômbia.

"(Está) tudo dentro de um plano de desestabilização que nós vínhamos denunciando há muito tempo", afirmou Carrizález, durante entrevista realizada no Estado de Táchira, fronteira com a Colômbia, logo após ser convocada uma reunião de emergência do alto mando militar.

Para o vice-presidente venezuelano, o assassinato dos dois militares tem como objetivo "amedrontar" a Guarda Nacional no combate ao narcotráfico na linha fronteiriça. De acordo com Carrizález, os militares venezuelanos são "alvos" de constantes ameaças de grupos paramilitares.

O ataque aos dois militares venezuelanos ocorreu na tarde da segunda-feira em um ponto de controle perto do município de Ureña, a poucos metros da linha que marca a fronteira entre os dois países.

Segundo autoridades venezuelanas, um grupo de quatro homens encapuzados disparou contra os militares. Um suspeito, venezuelano, foi detido. Os outros três ainda estão foragidos.

Fronteira

Depois do incidente, a presença militar venezuelana foi reforçada e desde a tarde de segunda-feira a fronteira entre as cidades de Cúcuta (Colômbia) e Táchira (Venezuela) permaneceu fechada. O vice-presidente, porém, afirmou que foi o governo colombiano quem fechou a fronteira. "Do lado venezuelano está oficialmente aberta".

Na prática, no entanto, não é assim. O trânsito de automóveis está interrompido e as pessoas estão cruzando a fronteira por baixo da ponte binacional. Outros, como o colombiano Fredy Garcia, preferiram esperar a abertura da fronteira venezuelana para poder cruzar.

"Vim caminhando da Colômbia para cá, mas a fronteira venezuelana está fechada. Vou esperar aqui, até abrirem, porque por baixo da ponte é arriscado e se nos pegam, estamos em problemas", disse Garcia à BBC Brasil, por telefone. Pintor e pedreiro, Garcia diz cruzar diariamente a ponte entre os dois países. "Moro na Colômbia, mas trabalho na Venezuela", afirmou.

Do lado venezuelano, uma dezena de militares protege a fronteira.

"Desestabilização"

O vice-presidente disse que a morte dos militares não pode ser desvinculada dos assassinatos, há pouco mais de uma semana, de dez pessoas que haviam sido sequestradas e posteriormente encontradas mortas também no Estado de Táchira. O governo venezuelano afirma que se tratavam "paramilitares colombianos em treinamento" na Venezuela.

Carrizález também acusou ao governador opositor do Estado, César Pérez, de ser conivente com a infiltração de paramilitares colombianos na Venezuela, a seu ver, em coordenação com políticos colombianos.

"Temos suficientes provas de reuniões na Colômbia para tratar de desestabilizar o processo bolivariano", afirmou. "Isso não vamos permitir. Vamos combater (o paramilitarismo) com toda a força de lei", acrescentou.

Incrementando a tensão entre Bogotá e Caracas, na semana passada, dois agentes do serviço de inteligência colombiano foram presos em território venezuelano acusados de espionagem - algo que a Colômbia nega.

Bases

Para o governo venezuelano, a presença de paramilitares colombianos em seu território é "apenas o começo" de um "plano de conspiração", que envolve ao governo dos Estados Unidos e da Colômbia, a partir da assinatura do acordo militar entre os dois países.

Para o governo de Hugo Chávez, que "congelou" as relações diplomáticas com a Colômbia quando o acordo militar foi anunciado, a instalação das bases militares americanas são uma ameaça a seu governo e à estabilidade da América do Sul.

Tanto o governo de Bogotá como de Washington afirmam que o acordo se limitará ao território colombiano.

O governo brasileiro, que inicialmente manifestou "preocupação" com a assinatura do acordo, ainda aguarda que o governo de Álvaro Uribe revele o conteúdo do convênio militar.

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