Atirador de base militar do Texas é indiciado por treze mortes

Major Nidal Malik Hasan
Image caption O major Hasan não queria ser mandado ao Afeganistão

O major do Exército Americano Nidal Malik Hasan, que foi responsabilizado por um tiroteio na semana passada na base militar de Fort Hood, do Estado do Texas, foi indiciado pelo assassinato de 13 pessoas nesta quinta-feira.

"Hoje confirmo que o major do Exército americano Nadal Malik Hasan, um psiquiatra de 39 anos de idade, designado para o centro médico Damell aqui de Fort Hood, foi indiciado com 13 acusações de assassinato premeditado, segundo o artigo 118 do código de justiça militar", afirmou Chris Grey, um porta-voz para divisão militar que investiga o caso.

"Estas são acusações iniciais e outras adicionais podem ser proferidas futuramente, dependendo de investigações criminais", completou.

O número de assassinatos pode subir se os promotores também decidirem acusar Hasan do assassinato de uma criança morta no ventre de sua mãe grávida.

Se considerado culpado, o réu pode ser condenado à pena de morte. Ninguém foi executado pela Justiça militar americana em quase 50 anos.

Muçulmanos

O militar foi baleado por policiais e permanece hospitalizado. Segundo seus advogados, ele já falou com médicos, mas ainda não com investigadores.

Acredita-se que Hasan temia ser enviado ao Afeganistão.

Ele disparou os tiros no local onde as tropas são examinadas antes do envio ao exterior.

O presidente Barack Obama ressaltou a diversidade cultural americana em um momento em que correspondentes dizem temer uma possível revolta contra muçulmanos no país.

Al-Qaeda

Autoridades de inteligência dos Estados Unidos revelaram que sabiam que o major americano vinha mantendo contato com um clérigo simpatizante da rede Al-Qaeda.

Segundo o FBI, o militar muçulmano, de família palestina, foi questionado por uma força-tarefa antiterrorismo por causa de uma série de e-mails que ele trocou com Anwar al-Awlaki, clérigo que já foi imã em uma mesquita da Virgínia e hoje vive no Iêmen, após ter passado um período na cadeia.

Os agentes de inteligência, no entanto, decidiram que a correspondência não merecia mais investigações e que Hasan não estava envolvido em um plano terrorista.

Segundo eles, o conteúdo das mensagens não defendia nem trazia ameaças de atos de violência, e condizia com pesquisas que o major estava fazendo para seu trabalho como psiquiatra do Exército.

O presidente Barack Obama pediu uma revisão de como o FBI lidou com as informações obtidas sobre Hasan.

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