Agência da ONU cobra do Irã esclarecimentos sobre instalação nuclear

Image caption A existência da usina de Qom foi revelada recentemente

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou nesta segunda-feira que precisa receber do Irã "mais esclarecimentos" sobre uma usina nuclear recentemente descoberta nas proximidades da cidade iraniana de Qom.

Uma equipe da AIEA visitou as instalações no mês passado e disse que a planta do local "corresponde com as informações fornecidas pelo governo iraniano".

Mas em seu relatório sobre a visita, a agência da ONU afirma que "as explicações iranianas sobre a finalidade do local e a cronologia de seu projeto e construção precisam de maiores esclarecimentos".

O relatório afirma também que a demora do Irã em revelar a existência da usina pode levantar suspeitas sobre a existência de outras usinas secretas. Segundo a AIEA, a usina de Qom poderia começar a enriquecer urânio em 2011.

Outra usina

Nesta segunda-feira, a Rússia afirmou que outra usina nuclear em construção no sul do Irã não ficará pronta no final do ano, como planejado.

A usina de Bushehr foi planejada com ajuda alemã em 1974, mas seu projeto havia sido engavetado após a Revolução Islâmica de 1979.

O projeto foi retomado em 1995 e um novo cronograma foi finalizado há dois anos. O combustível da usina seria enriquecido na Rússia, garantindo assim que não seria usado para fins militares.

Segundo os russos, o atraso na inauguração da usina de Bushehr se deve a "motivos técnicos", mas correspondentes dizem que a decisão teve claramente motivos políticos.

Prazo

No domingo, a Rússia e os Estados Unidos alertaram o Irã de que o prazo para a resolução da polêmica em torno do programa nuclear iraniano está se esgotando.

O presidente americano, Barack Obama, lamentou que o Irã ainda não tenha respondido a uma proposta internacional "criativa" para acabar com as suspeitas de que o país esteja desenvolvendo armas nucleares secretamente.

Por sua vez, o presidente russo, Dmitry Medvedev, disse que espera convencer o Irã a enviar seu urânio para ser enriquecido na Rússia e depois usado como combustível em um reator iraniano.

Medvedev acrescentou, no entanto, que "outros meios" poderiam ser empregados se as negociações não avançarem.

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