Afeganistão enfrenta 'momento crítico', diz Hillary em Cabul

Pôster de Hamid Karzai em Cabul 18/11/2009. Foto AP
Image caption Karzai foi declarado presidente após o cancelamento do 2º turno

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que o Afeganistão atravessa um “momento crítico” na véspera da posse do presidente reeleito, Hamid Karzai.

As declarações foram feitas logo após a chegada da secretária a Cabul na embaixada dos Estados Unidos na capital afegã. Hillary participa nesta quinta-feira da cerimônia de posse de Karzai.

“Nós passamos por um momento crítico na véspera da posse de Karzai para o segundo mandato”, disse Hillary.

“Há agora uma clara janela de oportunidades para o presidente Karzai e o governo dele fazer um pacto com o povo do Afeganistão para demonstrar claramente que eles terão responsabilidade e resultados reais que melhorarão a vida da população”, afirmou a secretária.

“Queremos ser um parceiro forte para o governo e o povo do Afeganistão – e eu sempre digo os dois. Não é um ou outro, tem que ser os dois”.

Karzai foi declarado presidente depois do cancelamento do segundo turno das eleições por conta da desistência do seu único rival, Abdullah Abdullah, de participar do pleito, afirmando que a votação não seria livre ou justa.

A chegada de Hillary ocorreu com a segurança reforçada na capital por conta da cerimônia de posse. Líderes internacionais esperam que, durante o discurso de posse, Karzai assuma compromissos para a reforma política do país.

Pressão

Há uma grande pressão para que o presidente combata a corrupção no país durante o novo mandato.

Segundo a correspondente da BBC em Cabul Kim Ghattas, a presença de Hillary Clinton na cerimônia de posse de Karzai é qualificada em Washington como um endosso para o presidente.

Mas tanto Hillary como o presidente Barack Obama já fizeram declarações públicas sobre a necessidade de combater a corrupção no país. Além disso, Hillary já alertou que a ajuda humanitária para civis será interrompida caso a questão não seja tratada pelo governo.

O governo americano está discutindo o envio de mais tropas ao Afeganistão e Obama já afirmou que está “muito perto” de uma decisão sobre o número de soldados que serão enviados ao país.

Fraudes

O primeiro turno das eleições afegãs, em 20 de agosto, foram marcados por acusações de fraude. Cerca de 1,3 milhão de votos foram anulados, reduzindo o percentual de votação de Karzai - ainda assim à frente do de Abdullah.

Diante da pressão internacional, Karzai aceitou a realização de um segundo turno.

O candidato da oposição estava condicionando sua participação no segundo turno à renúncia do diretor da Comissão Eleitoral Independente, Azizullah Lodin, que foi rejeitada por Karzai.

Como "condições mínimas" para permanecer na disputa, Abdullah também havia pedido o fechamento de diversos postos de votação, a fim de fazer melhor uso dos monitores eleitorais. Em vez disso, as autoridades anunciaram que abririam mais locais de votação.

Um dos objetivos do segundo turno era dar mais legitimidade ao pleito. Segundo a correspondente da BBC em Cabul, Lyse Doucet, alguns observadores questionam a legitimidade de Karzai e colocam em dúvida suas condições de cumprir o novo mandato.