Brasil e Argentina criam grupo para solucionar impasse comercial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, em Brasília
Image caption Lula recebeu Cristina Kirchner em Brasília para discutir divergências

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciaram nesta quarta-feira, após reunião em Brasília, a criação de um grupo ministerial para resolver as divergências comerciais entre os dois países.

O grupo de trabalho será formado por ministros de Economia, Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Relações Exteriores e deverá se reunir a cada 45 dias.

Medidas burocráticas adotadas pelos dois países têm provocado atrasos no desembarque de produtos no mercado vizinho, geram prejuízos para produtores e exportadores e já afetaram o volume do comércio bilateral.

Após a reunião com a presidente da Argentina, Lula disse que "o protecionismo não é solução, apenas cria distorções difíceis de se reverter".

O presidente disse ainda que "o caminho a seguir" é o aumento das exportações argentinas, e não a redução das vendas brasileiras. O Brasil tem superávit no comércio bilateral.

“Temos de ter inteligência para superar as diferenças com maturidade e racionalidade. É necessário abordar os temas e procurar ajuda para encontrar saídas”, disse Cristina.

Segundo o ministro da Economia da Argentina, Amado Boudou, 6% das exportações brasileiras teriam sido atingidas com as chamadas Licenças Não Automáticas (LNA), adotadas pela Argentina em outubro de 2008, em meio à crise internacional.

Para o Brasil, este impacto é maior e varia entre 14% e 17%, se forem somadas todas as recentes iniciativas argentinas, incluindo medidas tidas como antidumping.

Honduras

Em uma declaração conjunta, os dois presidentes também "reiteraram sua enérgica condenação do golpe de Estado em Honduras" e "reiteraram que seus governos não reconhecerão o resultado de eleições conduzidas pelo governo de fato" caso o presidente deposto, Manuel Zelaya, não seja restituído.

Durante o encontro em Brasília, Lula e Cristina Kirchner assinaram ainda um acordo para a venda de aviões da Embraer ao governo argentino.

A transação envolve a venda de 20 aviões 190 AR, no valor total de cerca de US$ 700 milhões. Cerca de 85% do financiamento será feito por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e os 25% restantes pelo Banco de La Nación, da Argentina.

Os dois presidentes se comprometeram ainda a acelerar os processos de concessão de licenças para a construção da Hidrelétrica Binacional de Garabi, no Rio Uruguai, e a ampliação da parceria no programa de intercâmbio de energia elétrica.

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