Corpo encontrado em Roma pode ser de transexual brasileiro pivô de escândalo

Silvio Berlusconi (à esq.) e Piero Marrazzo em 2007
Image caption Berlusconi (à esq.) e Marrazzo estão envolvidos em escândalos

Um corpo encontrado carbonizado em Roma na madrugada desta sexta-feira seria do transexual brasileiro Brenda, um dos pivôs do escândalo sexual que derrubou o governador da região de Lazio, na Itália, em outubro.

A Justiça já abriu um inquérito para apurar a morte, e a polícia informou que só a autópsia poderá confirmar a causa da morte e a identidade da vítima.

O corpo foi encontrado no apartamento de Brenda em via Due Ponti, tradicional reduto de transexuais na capital italiana. Ele estava seminu, deitado em uma cama, sem sinais evidentes de violência, e a casa não estava revirada.

O imóvel pegou fogo na madrugada desta sexta-feira e os bombeiros que combateram o incêndio encontraram o corpo carbonizado. Do lado de fora, foi achada uma bolsa banhada com um líquido de fácil e lenta combustão.

Escândalo

Brenda era uma das testemunhas do escândalo envolvendo o ex-governador Piero Marrazzo, que acabou renunciando ao cargo após a revelação do caso, que abalou a opinião pública italiana.

Marrazzo foi acusado, na época, de ter mantido relações sexuais com transexuais. Ele teria sido chantageado por policiais que tinham obtido um vídeo que o mostrava seminu no apartamento de outro transexual brasileiro, Natalia.

No apartamento da vítima, dentro do lavabo, investigadores encontraram um computador molhado, como se alguém tivesse tentado inutilizá-lo com água.

Brenda tinha sido ouvido pelos promotores públicos que cuidam do caso no dia 2 de novembro. Ele era suspeito de ter mantido relações sexuais com Marrazzo e de ter participado de um segundo vídeo, cuja existência ainda não foi comprovada.

As investigações do caso apontam para uma rede de corrupção e chantagem ligada ao mercado da prostituição de travestis e transexuais. Quando o caso estourou na imprensa italiana, Natalia acusou Brenda de ter "arruinado" Piero Marrazzo.

Como parte do esquema, encontros de personalidades famosas com travestis eram filmados e os vídeos eram depois oferecidos a jornais e revistas ou para algum adversário político.

No caso Marrazzo, os policiais envolvidos no esquema entraram no apartamento de Natalia, filmaram o ex-governador, e depois, através de uma agência fotográfica de Milão, tentaram negociar as imagens para jornais e revistas, por valores que iam de 100 mil a 500 mil euros.

Sexo e poder

Brenda seria a segunda pessoa encontrada morta envolvida no caso.

No dia 12 de setembro, o italiano Guianguarino Cafasso, acusado de ser um dos responsáveis pela quadrilha, foi encontrado morto, vítima de um infarte.

Segundo a imprensa italiana, Brenda era de Belém (PA) e estava na Itália havia três anos.

Há relatos de que há duas semanas, o transexual teria se envolvido numa briga com travestis e que havia demonstrado vontade de se suicidar.

No apartamento incendiado, os bombeiros teriam encontrado ainda as malas prontas do brasileiro, como se ele estivesse com planos de abandonar Roma.

“Estava mal psicologicamente e queria voltar para o Brasil”, disse um amigo transexual de Brenda, Barbara, à agência de notícias italiana Ansa.

O consulado do Brasil em Roma disse à BBC Brasil que ainda não foi notificado oficialmente. “Desde que o caso veio à tona ninguém pediu informações ou ajuda aqui”, afirmou a conselheira Marilu Seixas Corrêa.

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