Irã 'liberta' reformista que participou de protestos em junho

Mohammed Ali Abtahi durante julgamento em agosto (arquivo)
Image caption Abtahi é um dos mais importantes reformistas iranianos a ser condenado

Um ex-vice-presidente iraniano teria sido liberado sob fiança depois de ter sido condenado por incitar o tumulto depois das polêmicas eleições presidenciais de junho, que reelegeram o presidente Mahmoud Ahmadinejad.

O reformista Mohammed Ali Abtahi teria sido sentenciado a seis anos de prisão por sua participação nos protestos. Ele foi preso logo depois das eleições de 12 de junho que desencadearam os grandes protestos dos partidários do candidato de oposição, Mir-Hosssein Mousavi.

De acordo com a agência oficial de notícias Irna, ele teria sido liberado temporariamente sob fiança de 7 bilhões de rials iranianos (cerca de R$ 739 mil).

De acordo com o ex-correspondente da BBC em Teerã Jim Muir, o veredicto de seis anos de prisão não foi anunciado oficialmente, mas relatado pelos advogados de Abtahi e partes da imprensa iraniana.

Se isto for verdade e, segundo Muir, não há motivos para que não seja, Abtahi será a figura mais importante a ser sentenciada por envolvimento nos protestos depois das eleições de junho.

Site e blog

Muir afirma que Abtahi era um dos nomes mais populares durante os dois mandatos do presidente reformista Mohammad Khatami, entre 1997 e 2005, nos quais ele foi o vice-presidente.

Considerado uma figura genial e moderna, Abtahi tinha seu próprio site e blog. Depois que Khatami se retirou da corrida presidencial em junho, Abtahi fez campanha para um dos outros candidatos de oposição, o ex-porta-voz do Parlamento Mehdi Karroubi.

Ele estava entre os primeiros oposicionistas presos depois das manifestações que ocorreram após o anúncio de que o presidente Mahmoud Ahmadinejad tinha sido reeleito com uma surpreendente maioria, em meio as acusações da oposição de uma grande fraude na votação.

De acordo com a agência de notícias iraniana, Fars, Abtahi teria dito durante seu julgamento: "A questão da fraude no Irã foi uma mentira e foi levantada para criar os tumultos".

Abtahi foi julgado junto com vários outros reformistas e também teria afirmado que o objetivo dos protestos depois da eleição foi criar uma "revolução de veludo", em uma referência à derrubada do regime comunista da Tchecoslováquia em 1989.

Abtahi também apareceu na televisão iraniana admitindo ter provocado os tumultos. Mas a família do político afirma que suas declarações foram feitas sob coação.

Cerca de 80 pessoas foram presas e cinco sentenciadas à morte devido aos tumultos logo após a reeleição de Ahmadinejad.

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