EUA devem anunciar metas para redução de emissões

Image caption Obama vem sendo pressionado a estipular metas

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve anunciar, nos próximos dias, as metas do país para a redução dos gases que causam o efeito estufa, segundo informou um alto funcionário da Casa Branca.

O funcionário, que não quis identificar-se, disse também que Obama anunciará se vai comparecer à Conferência da ONU sobre mudanças climáticas, em Copenhague, no mês que vem.

Até agora, 65 líderes já confirmaram a presença no evento, na Dinamarca, entre 7 e 18 de dezembro, que deve produzir um acordo mundial para enfrentar as mudanças climáticas para substituir o Protocolo de Kyoto, que vence em 2012.

Como líder de um dos dois maiores poluidores do mundo, Obama vem sendo pressionado por aliados americanos para atender ao encontro e mostrar flexibilidade sobre a questão das metas.

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"Países vão ter que ser claros sobre o que desejam fazer sobre as emissões", disse o oficial do governo americano.

"Não vou anunciar aqui o que vai acontecer, mas acredito que nos próximos dias ficará mais claro o que os EUA devem fazer", completou.

A meta apresentada por Obama deve ser semelhante à aprovada pela Câmara dos Representantes e no momento tramitando pelo Senado, de redução de 17 a 20% dos níveis de 2005 até 2020.

Analistas acreditam que o Senado não votará a legislação antes de março. Oficiais da Casa Branca disseram estar em contato com líderes do Senado para assegurar que os senadores apóiem as metas anunciadas por Obama.

Primeiro passo

As metas da ONU são geralmente calculadas em relação aos níveis de 1990. Assim, as prováveis metas anunciadas devem representar um corte pequeno já que as emissões americanas subiram 15% desde 1990.

A cifra é bem menor do que a meta da União Europeia - de 20% no mesmo período - ou 30% no caso de um acordo global, e muito inferior à redução de 25-40% que desejam os países em desenvolvimento.

Mas Saleemul Huq, especialista em mudanças climáticas do Instituto Internacional para Desenvolvimento e Meio-Ambiente (IIED) em Londres, que trabalha junto a vários governos de países em desenvolvimento, afirma que uma meta deve ser encarada como um bem-vindo primeiro passo.

"Acho que é um ótimo sinal que a administração Obama deseja estabelecer uma meta e não esperar pelo Congresso", disse ele.

"As metas que todos estão levando à Copenhague são bases para negociações e, espermamos ver todos chegando com números mais ambiciosos, senão não teria sentido ir à Copenhague, poderíamos deixar tudo nas mãos do Congresso", disse ele.

"Outro fator importante é se o presidente Obama deseja ir ao encontro, o que seria um bom sinal", completou.

O outro grande poluente mundial, a China, não confirmou presença no evento.

Brasil

No último dia 13, ogoverno brasileiro, que vem pressionando os países desenvolvidos a assumir metas para a Conferência da ONU, anunciou que pretende reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa em entre 36,1% e 38,9% até 2020.A proposta será levada para Copenhague.

O governo afirma que essa meta é um compromisso voluntário, e não compulsório, já que a Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas só prevê metas obrigatórias para os países desenvolvidos.

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