Favorito nas eleições de Honduras diz que pedirá apoio do Brasil

Porfirio Lobo, líder das pesquisas de intenção de voto em Honduras (AP, 27 de novembro)
Image caption Porfirio Lobo se disse interessado nos programas sociais de Lula

O candidato que aparece em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de Honduras, marcadas para o próximo domingo, afirmou nesta sexta-feira que, caso eleito, irá buscar o apoio do governo do Brasil, que já declarou que não irá reconhecer o resultado do pleito.

Em uma entrevista coletiva em Tegucigalpa nesta sexta-feira, Porfírio ‘Pepe’ Lobo, do Partido Nacional, que tinha 42% das intenções de votos em uma pesquisa CID-Gallup realizada em julho, afirmou que, se vencer as eleições, irá “bater à porta” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para restabelecer relações.

“Nós estamos muito interessados em relações internacionais com todos os países. No caso do Brasil, bem, é um país que admiramos e respeitamos”, disse Lobo, que ainda afirmou estar interessado em programas sociais do governo brasileiro, como o Bolsa Família.

“Nós bateremos à porta do presidente Lula para que ele nos receba e (para que) restabeleçamos relações”, disse Lobo.

Reconhecimento

O governo brasileiro, por outro lado, tem reiterado que não irá reconhecer o resultado das eleições do próximo domingo em Honduras por entender que isto seria “legitimar um golpe de Estado”, nas palavras do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

Já os Estados Unidos defendem que as eleições são legítimas, desde que o processo aconteça sob “princípios democráticos”, com transparência e liberdade de expressão.

Também nesta sexta-feira, o presidente da Costa Rica, Óscar Arias, que desempenhou um importante papel ao tentar mediar a crise no país centro-americano, afirmou que seu governo irá reconhecer o resultado das eleições em Honduras e pediu para que os outros países façam o mesmo.

“Se as eleições do próximo domingo forem transparentes, sem acusações de fraude, se os observadores não encontrarem irregularidades, eu peço que os países ibero-americanos reconheçam o futuro governo durante a cúpula em Portugal (que tem início na segunda-feira)”, disse Arias durante visita a Israel.

Crise

A crise política em Honduras teve início em 28 de junho, quando o presidente eleito do país, Manuel Zelaya, foi destituído do cargo pelas Forças Armadas, em uma medida que recebeu apoio do Congresso e da Suprema Corte do país.

Zelaya foi acusado de violar a Constituição do país e em seu lugar assumiu um governo interino, liderado pelo antigo presidente do Congresso, Roberto Micheletti.

A deposição foi condenada por diversos países, entre eles o Brasil e os Estados Unidos, além de organizações como a OEA e a União Europeia.

Zelaya voltou clandestinamente a Honduras e se abrigou na embaixada do Brasil, onde está desde o mês de setembro.

Na próxima quarta-feira, como parte de um acordo intermediado pelos Estados Unidos, o Congresso deve votar se Zelaya voltará a ocupar a Presidência até o final de seu mandato, em 27 de janeiro.

Na última quinta-feira, a Suprema Corte de Justiça deu seu parecer sobre a questão, aconselhando os parlamentares a rechaçar a restituição do mandatário eleito.

Muitos países consideravam a volta de Zelaya ao poder como requisito para a legitimidade das eleições do próximo domingo.

Na última quarta-feira, Micheletti afastou-se do cargo provisoriamente, podendo voltar ao poder dependendo da decisão do Congresso no dia 2.

Notícias relacionadas