Emergentes viram 'porto seguro' contra calote após Dubai, diz 'FT'

Mercado financeiro (arquivo)
Image caption Suspensão da dívida de Dubai gera temor de calotes soberanos

Uma reportagem publicada na edição desta terça-feira do jornal britânico <i>Financial Times</i> afirma que, diferentemente do passado, os títulos de países emergentes, como o Brasil, viraram "porto seguro" para investidores preocupados com uma possível rodada de calotes soberanos motivada pela crise em Dubai.

No artigo, intitulado "Investidores rasgam as velhas regras de comportamento", o influente diário financeiro observa que "a regra de vender os ativos de países emergentes e comprar os de países desenvolvidos, mais seguros, virou de ponta cabeça após a suspensão do pagamento da dívida (anunciada) pelo emirado na semana passada".

"Os títulos de países emergentes, como China e Brasil, têm visto entradas de investimentos na medida em que são considerados pelos investidores como portos seguros dada a saúde de suas finanças públicas."

Para o <i>FT</i>, "isto, mais que nada, sublinha uma mudança na dinâmica da economia global".

Por causa de seus "baixos níveis de endividamento e gerenciamento econômico prudente", prossegue o artigo, muitas economias emergentes "combateram a crise financeira de maneira muito mais eficiente que as nações mais ricas".

O artigo compara os níveis de endividamento de Brasil e China (46% e 65% em relação ao PIB, respectivamente) com o de Grécia e Irlanda (que devem atingir 111% e 80%).

Os dois países europeus têm sido citados como os mais vulneráveis a possíveis sobressaltos financeiros motivados por falta de confiança em suas finanças.

Segundo o <i>FT</i>, o Japão é o país com maior relação dívida/PIB – 200%. Já nos EUA e na Grã-Bretanha, essa relação é de 97% e 89%, respectivamente.

"Novamente, a velha regra de que as economias emergentes são mais arriscadas que as desenvolvidas tem sido rompida nos mercados", diz o jornal.

"Investidores consideram que Grécia e Irlanda apresentam mais risco de dar um calote em seus títulos que a China, Brasil, Polônia e China", afirma o artigo, notando, no caso chinês, que os riscos na maior economia emergente do mundo não são maiores, por exemplo, que na Grã-Bretanha.

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