Projeções indicam vitória de Morales em eleições na Bolívia

O presidente da Bolívia, Evo Morales, é recebido por simpatizantes pouco antes de votar neste domingo (AFP)
Image caption Projeções apontam que Morales teria vencido já no primeiro turno.

Pesquisas de boca de urna divulgadas no início da noite deste domingo indicam que o presidente Evo Morales teria vencido as eleições na Bolívia já no primeiro turno, reelegendo-se para um mandato de cinco anos.

Segundo estimativas do instituto Ipsos-Apoyo, Morales teria recebido 63,2% dos votos, contra 24,1% do principal candidato da oposição, Manfred Reyes Villa.

Outra pesquisa de boca de urna, da emissora de televisão Rede Uno, aponta que Morales teria sido reeleito com 62% dos votos, contra 23% de Reyes Villa.

Ainda de acordo com a pesquisa da Rede Uno, o partido de Morales, Movimento ao Socialismo (MAS), teria obtido a maioria tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado.

Caso a maioria no Senado venha a se confirmar, o poder de ação de Morales tende a se ampliar. Em seu primeiro mandato, o governo não possuía a maioria na Casa, o que o obrigou a negociar diversos projetos com a oposição.

Festa e críticas

Assim que foram divulgados os resultados preliminares, uma multidão se concentrou na praça Murillo, em frente ao palácio presidencial Queimado.

Erguendo cartazes e bandeiras eles gritavam "Evo, Evo".

Ao mesmo tempo, líderes políticos do Departamento de Santa Cruz, bastião da oposição, afirmavam que o MAS não teria vencido na região.

"Estamos felizes porque nossa Santa Cruz se mantém de pé", disse o provável senador eleito German Antelo.

Já a governadora indígena Sabrina Cuéllar, de Chuquisaca, opositora de Morales, disse que a vitória teria sido possível "devido ao uso exagerado da máquina" na campanha eleitoral.

"Foi uma campanha desequilibrada", disse.

Tranquilidade

A votação deste domingo foi marcada por quase absoluta tranquilidade, sendo registrados apenas incidentes isolados.

Observadores internacionais também destacaram a normalidade da jornada eleitoral, em um cenário bastante diferente da turbulência que marcou o país em diversas ocasiões durante o primeiro mandato de Morales, principalmente durante a crise política de setembro do ano passado.

Image caption Maria Yovy diz que votou em Morales devido aos programas sociais

Para analistas, Morales, o primeiro presidente indígena da Bolívia, deve ser alvo de maiores cobranças por parte de seu próprio eleitorado em seu segundo mandato, caso ele venha a se confirmar.

Alguns eleitores ouvidos pela BBC Brasil afirmam que, apesar de terem votado em Morales, guardam algumas críticas a seu governo.

“Eu votei no Evo porque ainda acredito nas mudanças. Mas ele não atendeu, no primeiro mandato, às minhas expectativas. Ele liberou o país para a plantação de coca. E agora, nós, os plantadores tradicionais de Yunga (região cocaleira de La Paz), fomos prejudicados”, disse o plantador de coca Emiliano Huanca Mamani.

Na mesma região, outra eleitora disse que votou em Morales porque ele “é o único” que se preocupa com os pobres.

“Ele distribuiu planos sociais, ele olhou para os mais carentes e eu acredito nas mudanças”, afirmou Maria Yovy.

Leia também na BBC Brasil: Crescimento e programas sociais dão favoritismo a Morales na Bolívia

Provas

Eleito pela primeira vez em 2005, Evo Morales passou por duas provas nas urnas nos quatro anos de seu primeiro mandato.

Em 2008, um referendo revogatório que obrigou alguns governadores a deixarem seus cargos o ratificou na Presidência da Bolívia.

Outro referendo, em janeiro deste ano, aprovou a nova Constituição proposta pelo governo Morales.

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