Polícia volta a entrar em choque com oposicionistas no Irã

Foto obtida pela AP mostra protestos de estudantes no campus da Universidade de Teerã
Image caption Manifestantes se reuniram em vários pontos de Teerã e outras cidades

A polícia do Irã entrou em choque nesta segunda-feira com manifestantes de oposição no centro da capital, Teerã, de acordo com relatos de testemunhas.

A polícia teria usado cassetetes e gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Também há informações não confirmadas de disparo de tiros.

Os choques ocorreram no Dia do Estudante, data que marca a morte de três estudantes iranianos, ocorrida em 1953, durante protestos contra os Estados Unidos.

Na manhã desta segunda-feira, centenas de policiais cercaram a Universidade de Teerã para tentar evitar os protestos.

As forças de segurança iranianas, incluindo a Guarda Revolucionária, tinham avisado que iriam tomar providências para evitar qualquer tentativa de protesto da oposição durante esta data.

Os grandes protestos de rua no Irã foram retomados a partir de 12 de junho, depois da reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Alegando fraude, os oposicionistas foram às ruas nos maiores protestos registrados desde a Revolução Islâmica de 1979. Desde os protestos em junho milhares foram presos e dezenas de manifestantes morreram.

Desde então o governo proibiu todos os protestos e os oposicionistas então começaram a se aproveitar de demonstrações aprovadas pelo governo iraniano para comparecer em grandes números e divulgar sua mensagem.

Testemunhas

Os detalhes dos protestos não puderam ser confirmados, pois há uma proibição em vigor no país para a imprensa estrangeira.

Uma página na internet, dos reformistas iranianos, informou que pelo menos dois oposicionistas foram presos. Outro site reformista informou que as autoridades desativaram redes de telefones celulares no centro da capital para evitar que os oposicionistas se comunicassem.

Os protestos desta segunda-feira teriam ocorrido na praça Vali Asr. Uma testemunha relatou que a polícia disparou gás lacrimogêneo contra a multidão que gritava frases como "Morte ao Ditador" ou então "Não tenha medo, estamos todos juntos".

O analista de assuntos iranianos da BBC Jon Leyne afirmou que há informações de protestos também em outras cidades do Irã, como Arak, Shiraz, Mashad e Isfahan.

Os estudantes estariam protestando não apenas contra o presidente Ahmadinejad, mas também contra o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, o que, de acordo com Leyne, é algo surpreendente.

Email bloqueados

Nos dias antes da manifestação desta segunda-feira, moradores de Teerã relataram que não conseguiam usar emails e que os sites de oposição estavam com acesso restrito.

Mas, com o aumento das restrições, os oposicionistas começaram a usar outros meios como panfletos, CDs ou simplesmente conversas para divulgar as manifestações.

No domingo, o ex-candidato à presidência da oposição, Mir Hossein Mousavi, que surgiu como líder dos reformistas, afirmou que movimento oposicionista ainda está vivo.

Em uma declaração divulgada em sua página na internet, Mousavi alertou as autoridades, afirmando que elas estão "lutando contra sombras nas ruas".

"Se vocês silenciarem todas as universidades, o que poderão fazer com a situação na sociedade?", questionou o oposicionista.

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