Década de 2000 foi a mais quente em 160 anos, diz estudo

Image caption Para organização de meteorologia, 'não há dúvida' sobre aquecimento

A primeira década do século foi até agora a mais quente dos registros do escritório britânico de meteorologia, o Met Office.

Novos dados divulgados nesta terça-feira mostram que, embora 1998 tenha sido o ano mais quente desde 1850, a década de 2000-09 foi a que registrou maiores temperaturas neste período de 160 anos.

A década do ano 2000 superou em 0,40 ºC a média de 1961-1990, de 14ºC.

Isto quer dizer que esta década foi mais quente que os anos 1990, que ficou 0,23ºC acima da média usada para comparação e registrou, por sua vez, temperaturas mais altas que os anos 1980.

"Estes números sublinham que o mundo continua a registrar aumentos de temperatura, principalmente devido à elevação das emissões de gases que causam o efeito estufa na atmosfera", disse o Met Office, em seu comunicado.

Para o órgão, os dados mostram que "o argumento de que o aquecimento global já parou é falho".

As informações foram divulgadas em Copenhague, no segundo dia da reunião da ONU que procura buscar um acordo de redução de gases estufa em substituição ao Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

Em um estudo separado, a Organização Mundial de Meteorologia (OMM) divulgou uma medição quase igual à do Met Office e estimou que o ano de 2009 já é o quinto mais quente da sua medição, que também remonta a 1850.

Segundo o estudo, o ano foi de temperaturas acima do normal na maior parte dos continentes.

"Climas extremos, incluindo enchentes devastadores, secas rigorosas, tempestades de neve, ondas de calor e de frio foram registrados em várias partes do mundo", afirmou o relatório.

<b>América do Sul</b>

Na América do Sul, Austrália e sul da Ásia, os eventos de calor extremo chamaram atenção. O outono na região austral, que inclui o sul do Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai, registrou "calor extremo", disse a organização.

Entre março e maio, foram registradas temperaturas diárias que alcançaram 30ºC e 40ºC, que bateram recorde diversas vezes.

No fim de outubro, o norte e o centro da Argentina foram afetados por uma extrema seca, com temperaturas acima de 40ºC, enquanto o sul da região viu precipitações de neve, raras e fora de época.

Já no Ártico, durante a estação sazonal de derretimento, a camada de gelo chegou ao seu terceiro menor nível desde que a medição começou, em 1979 – 5,1 milhões de quilômetros quadrados.

Essa extensão só foi maior que a dos anos de 2007 (4,3 milhões de quilômetros quadrados) e 2008 (4,67 milhões de quilômetros quadrados), que bateram recorde de perda de gelo.

"Estamos em uma tendência de aquecimento, não há dúvida disso", disse o diretor-geral da (OMM), Michel Jarraud.

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