Zelaya pode deixar a embaixada do Brasil

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya
Image caption Zelaya teria conseguido asilo no México

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, pode deixar a embaixada brasileira em Tegucigalpa nesta quarta-feira rumo ao México.

Zelaya não teria recebido asilo político do governo mexicano, mas há relatos de que ele será recebido como um "hóspede de honra" do presidente Felipe Calderón e que teria recebido um salvoconduto para deixar Honduras.

Algumas agências de notícias, no entanto, afirmam que o ministério das Relações Exteriores do México não tem informações sobre a viagem do presidente.

De acordo com o jornal hondurenho La Prensa, as medidas de segurança na região da embaixada foram “redobradas” e o acesso foi “fechado”.

Zelaya está refugiado na sede diplomática do Brasil na capital hondurenha desde 21 de setembro.

Crise

A crise política em Honduras teve início em 28 de junho, quando Manuel Zelaya foi destituído do cargo pelas Forças Armadas, acusado de violar a Constituição do país.

Antes de ser afastado, Zelaya defendeu que as eleições de 29 de novembro tivessem mais uma consulta, sobre a possibilidade de se mudar a Carta Magna hondurenha.

Segundo sua proposta, os eleitores decidiriam nessa consulta se desejavam que se convocasse uma Constituinte – o que, segundo o principal assessor do líder deposto, Carlos Reyna, é “uma necessidade histórica de Honduras”.

Os críticos de Zelaya afirmam que sua intenção era mudar o marco jurídico do país para poder se reeleger, o que é vetado pela atual Constituição.

A deposição do presidente eleito foi condenada internacionalmente. No lugar de Zelaya, que foi levado para fora do país, assumiu um governo interino, liderado pelo antigo presidente do Congresso, Roberto Micheletti.

Zelaya voltou clandestinamente a Honduras e se abrigou na embaixada do Brasil, onde está desde 21 de setembro.

No dia 29 de novembro, apesar da resistência de aliados do líder deposto, o governo interino realizou as eleições presidenciais, que acabaram elegendo o candidato da oposição, Porfírio “Pepe” Lobo como presidene. Ele deve tomar posse em 10 de janeiro.

Desde a vitória de Lobo, os aliados de Zelaya vêm discutindo uma saída honrosa da embaixada do Brasil.

Na segunda-feira, os países do Mercosul e a Venezuela reafirmaram o seu apoio a Zelaya, e manifestaram "total e pleno desconhecimento das eleições" realizadas no dia 29 de novembro.

"Ante a não restituição do presidente José Manuel Zelaya ao cargo para o qual foi democraticamente eleito, manifestamos o total e pleno desconhecimento das eleições, as quais foram desenvolvidas em um ambiente de inconstitucionalidade, ilegitimidade e ilegalidade", declararam.

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