Livro francês discute 'influência do traseiro' na humanidade

Capa do livro 'A Face Oculta do Traseiro' (divulgação)
Image caption Para autores, falar das nádegas é 'falar de nós mesmos'

Um documentário e um livro que chegam nesta quarta-feira ao público francês prometem alimentar um debate nacional sobre a contribuição do traseiro na formação do imaginário nacional.

<i>La Face Cacheé des Fesses</i> (“A Face Oculta das Nádegas”, em tradução livre), uma parceria entre a documentarista Caroline Pochon e o jornalista Allan Rothschild, estreia em forma de documentário nesta quarta-feira no canal Arte de televisão, horas antes de a edição impressa homônima chegar às livrarias.

Os autores concluíram 18 meses de uma investigação que as editoras da obra, Arte e Democratic Book, estão apresentando como "séria, ao mesmo que lúdica", e com um "toque de espírito libertino".

"Quando falamos das nádegas", diz um trecho do documentário, "falamos de nós mesmos".

Psicanálise e semiótica

Os autores propõem uma viagem multidisciplinar pelas diferentes representações do traseiro na história da humanidade, emprestando conceitos de história da arte, psicanálise, sociologia e semiótica.

Pochon e Rothschild falam a um país onde as referências ao que a revista semanal <i>L’Express</i> descreveu como "a parte mais subversiva da anatomia humana" não são incomuns.

"A pátria, a honra, a liberdade, nada existe: o universo gira em torno de um par de nádegas", disse o filósofo Jean-Paul Sartre, como lembrou o diário <i>Le Monde</i>.

Nesse contexto, a imprensa vem tratando esta celebração ao traseiro como "a cereja do bolo dos lançamentos natalinos".

"Há mil coisas a dizer sobre as nádegas", afirmam Pochon e Rothschild. "Elas nos falam sobre os fundamentos – no sentido literal e figurado – de nossa sociedade, os seus tabus e os seus desejos", refletem.