Voo Rio-Paris da Air France enfrenta emergência sobre Atlântico

Pedaço de Airbus encontrado após acidente
Image caption Acidente em maio deixou 216 mortos

Um incidente com um avião da Air France na semana passada pode ajudar investigadores franceses a esclarecer dúvidas sobre o acidente ocorrido em maio com o voo AF447 da mesma empresa, por ter praticamente reencenado a situação enfrentada pelo voo que caiu no mar e matou 228 pessoas.

Segundo o jornal francês Le Figaro, no último dia 29 de novembro, o voo AF445 (que substituiu o AF447 após o acidente em maio) decolou do aeroporto do Galeão às 13h20, horário de Brasília. Quatro horas depois, o avião, um Airbus A330-200, o mesmo modelo do AF447, atravessou uma zona com fortes perturbações meteorológicas, que forçaram o comandante a adotar medidas especiais.

Ainda de acordo com o Figaro, o Airbus teria perdido 5 mil pés (pouco mais de 1,5 mil metros) de altitude quando sobrevoava uma área a apenas 18 quilômetros de distância do local onde o AF447 teria desaparecido.

Em um comunicado divulgado aos jornais franceses nesta quinta-feira, a Air France afirma que o comandante seguiu os procedimentos padrões, ao "realizar uma descida normal para evitar uma zona de turbulências severas e atingir um nível de voo menos turbulento".

No entanto, a medida foi adotada sem a permissão do controle aéreo de Dacar, no Senegal, que é o responsável pela navegação aérea na região, conhecida como "buraco negro" pela falta de cobertura de radares aéreos. Sem a permissão, o piloto foi obrigado a enviar uma mensagem de emergência pelo rádio, para avisar sobre a mudança de nível de voo.

Não há relatos de feridos no incidente.

O organismo informou que não pode ignorar uma "tal coincidência" entre o incidente do AF445 e a queda do AF447. "Os dados podem nos fornecer novas informações", explicou o porta-voz do BEA.

Uma investigação sobre o incidente foi aberta pelo Escritório de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil (BEA, na sigla em francês), que também é responsável por descobrir as causas do acidente ocorrido em maio.

No próximo dia 12, o diretor do BEA, Alain Bouillard, chega ao Rio de Janeiro. Ele deve se encontrar com familiares das vítimas brasileiras do voo AF447.

Cinco dias depois, em Paris, o organismo publicará o segundo relatório sobre as investigações do acidente.