Zelaya diz que não deixará Honduras como asilado

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya
Image caption Zelaya teria conseguido asilo no México

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse nesta quarta-feira que não deixaria o país como asilado, depois de rumores de que ele estaria prestes a deixar a embaixada do Brasil em Tegucigalpa rumo ao México.

“Não estou pedindo asilo político a nenhum país do mundo. Tudo o que temos conversado sobre uma eventual saida de honduras seria em qualidade de presidente de honduras, meu mandato vence 27 de janeiro de 2010”, disse Zelaya em entrevista à rede de televisão Telesur.

Zelaya disse ainda que não tem nenhum documento ou autorização jurídica do governo interino para deixar Honduras. Mas algumas agências de notícias citam fontes do governo interino, liderado por Roberto Micheletti, para afirmar que o governo de fato garantirá um salvoconduto para que Zelaya possa deixar o país.

Em entrevista à BBC Mundo, fontes do governo interino afirmaram que “há uma situação que está se desenvolvendo neste momento, mas está em etapa muito inicial”.

Nova etapa

O ministro da Presidência de Zelaya, Enrique Flores, havia dito, há algumas horas, que o líder deposto estaria partindo rumo ao México com a família, onde começaria uma “nova etapa para continuar com sua luta”.

Victor Meza, colaborador de Zelaya e principal negociador da comissão que representou o presidente deposto nas negociações durante a crise política disse à BBC Mundo que “entende que o presidente articulou sua saída para o México, mas não pode confirmar oficialmente essa informação”.

Imagens transmitidas pela Telesur mostram diversos apoiadores de Zelaya do lado de fora da embaixada. Segundo o jornal hondurenho as medidas de segurança na região da embaixada foram “redobradas” e o acesso foi “fechado”.

Zelaya está refugiado na sede diplomática do Brasil na capital hondurenha desde 21 de setembro.

México

Fontes oficiais do governo do México afirmaram que as negociações entre a equipe de Zelaya e as autoridades mexicanas já vêm ocorrendo há dias, mas não confirmaram a viagem do líder deposto.

“As negociações continuam, mas podem levar horas e até dias”, disseram as fontes à BBC Mundo, que afirmaram ainda que o status do presidente na chegada ao México se definiria apenas na conclusão do diálogo.

Crise

A crise política em Honduras teve início em 28 de junho, quando Manuel Zelaya foi destituído do cargo pelas Forças Armadas, acusado de violar a Constituição do país.

Antes de ser afastado, Zelaya defendeu que as eleições de 29 de novembro tivessem mais uma consulta, sobre a possibilidade de se mudar a Carta Magna hondurenha.

Segundo sua proposta, os eleitores decidiriam nessa consulta se desejavam que se convocasse uma Constituinte – o que, segundo o principal assessor do líder deposto, Carlos Reyna, é “uma necessidade histórica de Honduras”.

Os críticos de Zelaya afirmam que sua intenção era mudar o marco jurídico do país para poder se reeleger, o que é vetado pela atual Constituição.

A deposição do presidente eleito foi condenada internacionalmente. No lugar de Zelaya, que foi levado para fora do país, assumiu um governo interino, liderado pelo antigo presidente do Congresso, Roberto Micheletti.

Zelaya voltou clandestinamente a Honduras e se abrigou na embaixada do Brasil, onde está desde 21 de setembro.

No dia 29 de novembro, apesar da resistência de aliados do líder deposto, o governo interino realizou as eleições presidenciais, que acabaram elegendo o candidato da oposição, Porfírio “Pepe” Lobo como presidene. Ele deve tomar posse em 10 de janeiro.

Desde a vitória de Lobo, os aliados de Zelaya vêm discutindo uma saída honrosa da embaixada do Brasil.

Na segunda-feira, os países do Mercosul e a Venezuela reafirmaram o seu apoio a Zelaya, e manifestaram "total e pleno desconhecimento das eleições" realizadas no dia 29 de novembro.

"Ante a não restituição do presidente José Manuel Zelaya ao cargo para o qual foi democraticamente eleito, manifestamos o total e pleno desconhecimento das eleições, as quais foram desenvolvidas em um ambiente de inconstitucionalidade, ilegitimidade e ilegalidade", declararam.

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