PIB cresce 1,3% no 3º trimestre e fica abaixo do previsto pelo governo

Image caption Taxa de investimento das empresas ficou em 17,7% do PIB no período

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,3% no terceiro trimestre na comparação com o trimestre anterior, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado consolida a recuperação econômica do país, que no início do ano chegou a passar por uma recessão técnica - caracterizada por dois trimestres seguidos de contração econômica.

O número, porém, ficou abaixo das expectativas do governo. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou a prever um crescimento de 2% no período.

O ministro disse, nesta quinta-feira em Brasília, que sua previsão ficou “comprometida” com a revisão de PIBs de trimestres anteriores, anunciada pelo IBGE em função de mudanças na metodologia.

“O importante é que tivemos sinais positivos, como o crescimento da indústria e a volta dos investimentos”, diz. Mantega evitou fazer novas previsões, mas disse acreditar que o PIB do 4º trimestre “será melhor do que o do 3º trimestre”.

Destaques

Um dos destaques do trimestre foi a indústria, que cresceu 2,9%. O setor de serviços cresceu menos, com 1,9%, enquanto o PIB do agronegócio ficou negativo mais uma vez. No último trimestre, a queda foi de 2,5%.

Outro dado positivo é a volta dos investimentos. A taxa, que reflete o quanto as empresas estão investindo em maior capacidade produtiva, ficou em 17,7% do PIB – número superior aos 15,7% verificados no segundo trimestre.

Apesar da retomada, a taxa de investimento das empresas ainda está inferior ao período pré-crise. Antes da turbulência que abalou a economia mundial, o índice era de 20,1% do PIB.

Entre os destaques negativos está a agropecuária, cujo PIB recuou 2,5% no 3º trimestre. Os gastos do governo também cresceram abaixo do PIB geral: 0,5%

“Em termos de qualidade do crescimento, o resultado está bom”, disse Mantega. Segundo o ministro, os investimentos estão “bombando” e os gastos de governo, sob controle.

Ano anterior

Na comparação com o mesmo trimestre de 2008 – antes, portanto, do agravamento da crise – a economia brasileira teve uma retração de 1,2%.

Nessa comparação, somente o setor de serviços apresenta resultado positivo, com alta de 2,1%. O PIB da indústria teve queda de 6,9%, e a retração na agropecuária foi ainda maior, com 9%.

Com a expansão de 1,3% no trimestre, o PIB do país chega a R$ 797 bilhões, sendo 13% desse valor referente a impostos.

Até a última sexta-feira, a expectativa dos analistas de mercado era de que a economia brasileira crescesse 0,2% neste ano. Mas com o resultado do trimestre, abaixo das expectativas, a previsão para o ano deve ser reduzida.

Revisão

O IBGE também divulgou revisões de resultados anteriores do PIB que modificaram os números de 2009 e parte de 2008 – alguns para mais, outros para menos.

O PIB do segundo trimestre deste ano, por exemplo, cresceu apenas 1,1%, - e não 1,9% como divulgado inicialmente.

Já o resultado do quarto trimestre de 2008, em comparação ao trimestre anterior, ficou melhor: o resultado atualizado é de uma queda de 2,9%, contra a retração de 3,6% divulgada previamente.

Apesar das revisões, o IBGE informou que não houve alterações no PIB de 2008 anualizado, que apresentou crescimento de 5,1%.

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