Governo de Honduras rejeita saída de Zelaya como 'hóspede'

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya
Image caption Zelaya afirma que não pediu asilo político a nenhum país

O governo interino de Honduras se recusou a expedir um salvo-conduto garantindo a saída do presidente deposto, Manuel Zelaya, como "hóspede ilustre" do país.

Informações anteriores diziam que Zelaya deixaria a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde está hospedado desde 21 de setembro, para viajar ao México.

O presidente deposto pedia para sair do país como "hóspede ilustre", mas o governo interino oferecia um salvo-conduto apenas se Zelaya pedisse asilo político a outro país, uma condição rejeitada pelo presidente deposto.

"Não estou pedindo asilo político a nenhum país do mundo. Tudo o que temos conversado sobre uma eventual saída de Honduras seria na condição de presidente de Honduras, meu mandato vence no dia 27 de janeiro de 2010", disse o presidente deposto em entrevista à rede de televisão Telesur.

"O governo tirou um documento da manga como condição para minha saída para o México, uma condição humilhante, indigna, que me submetia a apresentar minha renúncia ao cargo de presidente", afirmou Zelaya.

Integrantes do governo interino confirmaram que não aceitam que Zelaya saia do país como "hóspede ilustre", mas afirmaram que estão abertos a outras alternativas.

"A embaixada do México nos apresentou um pedido de salvo-conduto, mas, lamentavelmente, este pedido não foi aprovado", afirmou Oscar Raúl Matute, ministro do Gabinete de Governo.

Incerteza

Representantes do governo mexicano e autoridades do governo interino de Honduras vinham mantendo intensas negociações durante a noite passada, para tentar acertar a eventual saída de Zelaya do país.

Fontes oficiais do governo do México disseram à BBC que as negociações estavam "progredindo".

Image caption Medidas de segurança em volta da embaixada brasileira aumentaram

Um comunicado da chancelaria mexicana destacou que seu governo fez solicitações "com o objetivo de obter as garantias de segurança necessárias, por meio de um salvo-conduto, para que o presidente Zelaya possa deixar a embaixada do Brasil em Tegucigalpa".

Mas, na madrugada desta quinta-feira as negociações pareciam estar paralisadas.

Nos arredores da embaixada brasileira em Tegucigalpa estão reunidos alguns partidários do presidente deposto e as medidas de segurança aumentaram.

Crise

A crise política em Honduras teve início em 28 de junho, quando Manuel Zelaya foi destituído do cargo pelas Forças Armadas, acusado de violar a Constituição do país.

Antes de ser afastado, Zelaya defendeu que as eleições de 29 de novembro tivessem mais uma consulta, sobre a possibilidade de se mudar a Carta Magna hondurenha.

Segundo sua proposta, os eleitores decidiriam nessa consulta se desejavam que se convocasse uma Constituinte – o que, segundo o principal assessor do líder deposto, Carlos Reyna, é "uma necessidade histórica de Honduras".

Os críticos de Zelaya afirmam que sua intenção era mudar o marco jurídico do país para poder se reeleger, o que é vetado pela atual Constituição.

A deposição do presidente eleito foi condenada internacionalmente. No lugar de Zelaya, que foi levado para fora do país, assumiu um governo interino, liderado pelo antigo presidente do Congresso, Roberto Micheletti.

Zelaya voltou clandestinamente a Honduras e se abrigou na embaixada do Brasil, onde está desde 21 de setembro.

No dia 29 de novembro, apesar da resistência de aliados do líder deposto, o governo interino realizou as eleições presidenciais, que acabaram elegendo o candidato da oposição, Porfírio "Pepe" Lobo como presidente. Ele deve tomar posse em 10 de janeiro.

Desde a vitória de Lobo, os aliados de Zelaya vêm discutindo uma saída honrosa da embaixada do Brasil.

Na segunda-feira, os países do Mercosul e a Venezuela reafirmaram o seu apoio a Zelaya, e manifestaram "total e pleno desconhecimento das eleições" realizadas no dia 29 de novembro.

"Ante a não restituição do presidente José Manuel Zelaya ao cargo para o qual foi democraticamente eleito, manifestamos o total e pleno desconhecimento das eleições, as quais foram desenvolvidas em um ambiente de inconstitucionalidade, ilegitimidade e ilegalidade", declararam.

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