Obama pede aos bancos que facilitem acesso ao crédito

O presidente dos EUA, Barack Obama
Image caption Obama acredita que a reforma é necessária para o sistema financeiro

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu, nesta segunda-feira, aos dirigentes de grandes instituições financeiras americanas que facilitem o acesso ao crédito a particulares e a empresas de pequeno e médio porte.

"Agora que os bancos já estão recuperados, depois de terem recebido uma assistência extraordinária com dinheiro do contribuinte, esperamos de sua parte um compromisso extraordinário para ajudar na recuperação econômica", disse Obama.

As declarações do presidente foram feitas após uma reunião com executivos de alguns dos principais bancos, como JP Morgan Chase, Bank of America e Goldman Sachs.

O pedido de Obama para que os bancos se comprometam com a recuperação da economia americana acontece ainda um dia depois da divulgação de uma entrevista na qual o presidente chamou os banqueiros de "peixes gordos" que cobram suas bonificações anuais, apesar de seus bancos terem sido resgatados pelo Governo e enquanto o país registra uma taxa de desemprego de cerca de 10%.

Pressão

Durante o encontro, Obama falou ainda sobre a reforma do sistema financeiro proposta pelo governo e criticou os lobistas que tentam ameaçar a aprovação do projeto.

De acordo com o presidente, caso os lobistas “estejam dispostos a brigar contra as reformas de bom senso para proteger o consumidor, essa é uma luta que estou disposto a lutar”.

Na semana passada, a Câmara dos Representantes aprovou um amplo plano de reforma de regulação do sistema financeiro que está sendo considerado a maior revisão do sistema desde a Grande Depressão da década de 30.

Leia na BBC Brasil: Câmara dos EUA aprova plano de reforma do sistema financeiro

A legislação, proposta por Obama em julho, inclui a criação de uma agência de proteção dos consumidores para regulamentar alguns produtos e evitar práticas abusivas.

O projeto prevê ainda que o governo teria condições de fechar grandes empresas críticas para o sistema financeiro caso venham a entrar em dificuldades financeiras graves.

Muitos americanos criticam o pacote de resgate de US$ 700 bilhões oferecido às instituições financeiras no auge da crise.

Mas o governo de Obama afirma que o pacote foi necessário para conter a crise e evitar um colapso ainda maior da economia do país.

Citigroup

Ainda nesta segunda-feira, o Citigroup anunciou um acordo com o Governo americano para devolver os US$ 20 bilhões recebidos desde 2008 para a recuperação do banco.

A instituição financeira é a última entre os grandes bancos dos Estados Unidos a sair do Programa de Alívio para Ativos Problemáticos (Tarp, na sigla em inglês). A instituição vai emitir US$ 17 bilhões em novas ações para ajudar a financiar a medida.

O Citigroup informou que tem uma "dívida de gratidão" com os contribuintes americanos.

A instituição recebeu US$ 45 bilhões do governo, mas precisa pagar apenas US$ 20 bilhões porque o restante da dívida foi convertido em ações da instituição. Com isso, o governo dos Estados Unidos é dono de 34% do banco.

O governo, por sua vez, afirma que quer vender as ações no ano que vem. O Tesouro americano espera conseguir um lucro de entre US$ 13 bilhões e US$ 14 bilhões com a venda.

Quase 700 bancos foram beneficiados pelo Tarp, e a maioria deles devolveu o dinheiro rapidamente ao governo porque o empréstimo estabelecia várias restrições - incluindo a limitação de pagamentos a executivos dos bancos.

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