Apoio dos EUA a fundo de US$ 100 bi dá impulso à COP 15

Hillary Clinton em Copenhague
Image caption Hillary manifestou o apoio americano a um fundo 'verde'

No mais claro sinal de que as negociações finalmente poderiam ser destravadas na reunião das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, anunciou nesta quinta-feira em Copenhague o apoio a um fundo de financiamento de longo prazo de US$ 100 bilhões por ano até 2020.

A participação americana no fundo sugerido – que prevê ainda condicionantes para a liberação de verbas – não foi especificada.

O dinheiro seria usado para o combate às mudanças climáticas nos países em desenvolvimento, uma das principais exigências do grupo na conferência do clima. Na quarta-feira, representantes da União Europeia (UE) e da União Africana (UA) já tinham defendido a criação de um fundo de longo prazo.

Em uma entrevista coletiva conjunta, o presidente da UA, Meles Zenawithe, o presidente da UE, Fredrik Reinfeldt, e o presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, haviam falado em verbas de US$ 100 bilhões por ano para os países em desenvolvimento até 2020.

Segundo o plano apresentado, o financiamento começaria em 2013, chegando a US$ 50 bilhões em 2015, até atingir os US$ 100 bilhões de 2020.

Mudança de humor

Tanto o anúncio americano quanto o europeu e africano, entretanto, não deixam claro quanto os países estariam dispostos a pagar ou de onde sairiam as verbas.

Mas os anúncios contribuíram para uma ligeira mudança de humor na conferência de Copenhague. Um reflexo do otimismo foi a frase que abriu a entrevista coletiva do secretário-executivo para mudanças climáticas da ONU, Yvo de Boer, nesta quinta-feira.

“Senhoras e senhores, segurem-se e cuidado com as portas. O bonde vai partir”, brincou o diplomata, que no dia anterior havia afirmado que o “bonde” estava parado.

O apoio ao fundo de longo prazo foi elogiado por várias organizações não-governamentais.

O Fundo de Defesa do Meio Ambiente (EDF, na sigla em inglês) destacou as palavras usadas por Hillary Clinton, que disse que transparência é um fator decisivo para que um acordo seja alcançado.

“Transparência, saber se os países vão cumprir os seus compromissos, é a base de um esforço coletivo global”, afirmou Fred Krupp, do EDF.

O porta-voz da ONG Oxfam Internacional, David Waskow, também comentou o compromisso assumido pelos Estados Unidos.

Para a ONG, no entanto, é fundamental que o financiamento saia do orçamento dos países ricos.

“O apoio aos países pobres não pode ser deixado ao sabor dos mercados. É absolutamente crucial que o dinheiro venha de fontes públicas e que seja adicional às contribuições de ajuda que já vêm sendo feitas”, disse Waskow.

Obama

O presidente Americano, Barack Obama, deve chegar ao encontro na sexta-feira, e as expectativas sobre a participação dele são grandes.

O Greenpeace, embora tenha aplaudido o anúncio de Hillary Clinton, lembrou que a secretária de Estado não anunciou aumentos nas metas de redução de emissões de gases do efeito estufa, outro grande obstáculo nas negociações.

“As metas inadequadas de 3% até 2020 (aos níveis de 1990) e a contínua resistência a um acordo obrigatório com valor legal continuam como os principais entraves para um acordo bem-sucedido. Obama precisa trazer ambos quando chegar”, afirmou Martin Kaiser, consultor de política climática do Greenpeace.

Chefes de governo, ministros e representantes de 192 países têm até sexta-feira para desentravar as negociações sobre:

  • Metas de redução para países desenvolvidos. Até o momento, não existe consenso sobre um número ou mesmo em que forma essas metas seriam apresentadas – como extensão do Protocolo de Kyoto para os seus signatários (incluindo os países ricos, com exceção dos Estados Unidos) ou em um novo tratado incluindo os americanos.
  • Obrigações para os países em desenvolvimento. Os Estados Unidos exigem metas obrigatórias para os emergentes, mas a ideia é rejeitada categoricamente por China e Índia, que acusam os americanos de estarem fugindo à sua responsabilidade histórica por causa de suas altas emissões até hoje.
  • Financiamento. A proposta de um fundo de US$ 10 bilhões por ano, para os próximos três anos. Mas ainda não está claro de onde sairiam estes recursos e quem faria as contribuições. O mesmo se aplica ao fundo de até US$ 100 bilhões até 2020.

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