Senador republicano retira veto a embaixador dos EUA no Brasil

Thomas Shannon (foto de arquivo)
Image caption Decisão de LeMieux abre caminho para confirmação de Thomas Shannon

O senador republicano George LeMieux, da Flórida, confirmou em um comunicado em sua página na internet que suspendeu o bloqueio à indicação de Thomas Shannon como novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil.

Em seu primeiro mandato como senador, LeMieux manteve bloqueada a confirmação de Shannon por considerar suas posições muito progressistas em relação ao regime castrista de Cuba e também como forma de protesto à posição do governo americano em relação à deposição de Manuel Zelaya da Presidência de Honduras.

De acordo com ele, a decisão de derrubar o veto foi tomada depois de ter recebido garantias de que o governo de Barack Obama continuará apoiando a oposição cubana e retomará a emissão de vistos para cidadãos de Honduras, suspensa depois da queda de Zelaya.

O senador disse que conversou, nesta semana, com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, sobre suas preocupações em relação à América Latina, principalmente com relação aos retrocessos da democracia e o aumento de regimes autoritários na região.

Segundo ele, a secretária lhe deu garantias de que a política do governo de Barack Obama na América Latina, particularmente em Honduras e Cuba, será a de promover os ideais e metas da democracia.

“Como resultado destas discussões com a secretária Clinton e outros funcionários do Departamento de Estado, estou satisfeito em informar vários exemplos concretos deste compromisso”, disse LeMieux no comunicado.

“Em Honduras, os EUA continuarão normalizando as relações com o governo desse país e o presidente eleito, Porfírio Lobo. Os procedimentos de vistos serao normalizados. Em Cuba, os EUA retomarão o processo para que organizações sem fins lucrativos solicitem ajuda para a promoção da democracia.”

Recado

No texto publicado na Internet, LeMieux afirma que a política externa dos EUA para a América Latina se encontra em uma conjuntura crítica e que as ações do país mandaram um recado sobre o compromisso de Washington com a democracia, os direitos humanos e o império da lei.

Segundo o senador, o governo de Obama precisa ser claro com relação a sua posição na região, porque líderes que buscam desestabilizar a América Latina estão prestando muita atenção às ações de Washington.

Conforme as regras do Legislativo americano, os congressistas da oposição têm o direito de vetar uma nomeação.

Antes de LeMieux, o senador republicano Jim DeMint, da Carolina do Sul, embargava a indicação de Shannon devido a sua posição com relação à crise em Honduras.

Com o fim do bloqueio, cabe à maioria democrata no Senado confirmar o nome do novo embaixador americano no Brasil.

No entanto, os senadores que apoiavam o bloqueio de LeMieux precisam confirmar que o seguirão em sua nova decisão.

Ex-secreário-assistente dos EUA para a América Latina, cargo ocupado hoje por Arturo Valenzuela, Shannon tem uma sólida carreira diplomática.

Foi assistente especial da embaixada americana em Brasília, entre 1989 e 1992, e também já serviu os EUA na África do Sul, acompanhando o processo que levou ao fim do apartheid, e na Organização dos Estados Americanos.

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