'Achei que fosse morrer', diz brasileiro resgatado de naufrágio no Líbano

Sobreviventes sendo rsgatados
Image caption Navio levava 83 pessoas e cerca de 30 mil animais

O brasileiro Vitor Pinheiro Mello, de 35 anos, foi resgatado nesta sexta-feira de um navio de bandeira panamenha naufragado durante uma tempestade em frente à costa do Líbano.

Vítor estava entre os seis passageiros a bordo do navio de carga, que transportava cerca de 30 mil vacas e carneiros vivos. Ele está sendo tratado em um hospital na cidade portuária libanesa de Trípoli, no norte país.

“Eu senti muito frio, medo e achei que iria morrer ainda mais porque estava sozinho no mar”, disse ele por telefone à BBC Brasil.

O navio Danny F II, que viajava do Uruguai para o porto sírio de Tartous, levava 83 pessoas, entre tripulantes e passageiros, além da carga de animais. Antes de afundar, o navio enviou uma mensagem de perigo.

Pelo menos 31 sobreviventes do naufrágio foram resgatados, além de dois corpos, mas o mau tempo e o vento forte estão dificultando os esforços e poderiam dificultar a sobrevivência na água.

Navios da marinha libanesa e da força de manutenção de paz da ONU para o Líbano estão ajudando nas buscas.

Segundo um porta-voz do exército libanês, a tripulação teve tempo de distribuir coletes salva-vidas antes do naufrágio, mas acredita-se que toda a carga de animais tenha morrido.

Sirenes

Vitor, que é de Pelotas, no Rio Grande do Sul, contou que o navio "começou a perder a estabilidade" depois de uma manobra ordenada pelo capitão do navio, de inclinar levemente a embarcação para que as águas levassem a sujeira nos deques, o que seria um procedimento normal.

“Mas logo após, o navio começou a perder a estabilidade e se inclinar ainda mais”, disse o brasileiro.

Mello contou que as sirenes de alerta do navio tocaram, um sinal para que a tripulação abandonasse a embarcação.

O brasileiro disse que naquele momento estava em um dos compartimentos de carga, com os animais vivos.

“Apesar de eu não ser veterinário, eu atuava como um, cuidando dos animais. Foi quando eu escutei o som da sirene de alerta e comecei a correr para os botes salva-vidas”, disse.

Mello contou que foram cerca de 30 minutos entre o sinal para abandonar o navio e o momento em que conseguiram deixar o navio.

“Eu conseguia escutar gritos ao longe de outros colegas, mas estava sozinho no mar. Havia muito vento, mar agitado e chuva”, disse.

O brasileiro contou que ficou por cerca de duas horas no mar até que os primeiros navios de resgate chegassem.

Naquele momento ele conseguiu localizar os quatro uruguaios que também conseguiram escapar. “Mas perdi eles de vista quando subimos em um dos navios de resgate.”

Segundo o Cônsul-Geral do Brasil em Beirute, Michael Gepp, o brasileiro passa bem e está recebendo a assistência necessária, como também o apoio do recém criado Conselho de Cidadãos Brasileiros no Líbano.

“Foi um pesadelo o que aconteceu, mas agora já me sinto bem mais calmo. Só quero voltar para casa”, disse o brasileiro.

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