Sistema antimísseis dos EUA impede acordo nuclear, diz Rússia

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin
Image caption Putin diz que os EUA podem quebrar o equilíbrio entre os dois países

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, disse nesta terça-feira que um novo acordo de redução dos arsenais nucleares entre a Rússia e os Estados Unidos ainda não foi alcançado por causa dos planos americanos de instalar um sistema de defesa antimísseis.

Os dois países negociam um tratado de redução de arsenais para substituir o Start-1, assinado em 1991, que expirou no dia cinco de dezembro.

"Ao construir uma cobertura sobre si mesmos, nossos parceiros (os americanos) podem se achar totalmente seguros e fazer o que quiserem, o que prejudicaria o equilíbrio (bélico da Rússia com os americanos)", completou.

Putin também disse que, para balancear as forças russas e americanas, a Rússia deve “desenvolver um sistema ofensivo de armas” e não um sistema antimísseis próprio.

O Departamento de Estado americano divulgou um comunicado sobre as afirmações do presidente russo, rejeitando as preocupações levantadas por Putin.

“Enquanto os EUA concordam que há uma relação entre os mísseis de ofensa e de defesa, acreditamos que o acordo para substituir o Start não é o veículo apropriado para se tratar do assunto”, diz o comunicado do governo americano.

“Nós concordamos em continuar discutindo a questão dos mísseis de defesa em outra ocasião”, diz o texto.

Sistema no mar

Em setembro, Putin classificou de correta a decisão do presidente americano, Barack Obama, de cancelar o desenvolvimento de um sistema de defesa antimísseis, que planejava instalar na Polônia e República Tcheca.

Mas Obama disse que os Estados Unidos desenvolveriam um novo sistema balístico em outro lugar, incluindo em algum mar ou oceano, alegando que o país precisaria de proteção contra Estados como o Irã.

O Start I, assinado em 1991, levou a uma grande diminuição nos arsenais dos dois países, mas ambos permanecem capazes de destruir o planeta diversas vezes.

Estados Unidos e Rússia concordaram em prosseguir observando o Start I até a assinatura de outro acordo.

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