Parlamento afegão rejeita escolhas de Karzai para ministérios

Parlamento afegão durante votação
Image caption Parlamentares criticaram motivações de Karzai para nomeações

O Parlamento do Afeganistão recusou 17 dos 24 nomes indicados pelo presidente Hamid Karzai para compor seu novo gabinete de ministros neste sábado, no que está sendo visto com um grande golpe para seu governo.

Entre os nomes recusados está Mohammed Ismail Khan, um ex-comandante militar que já ocupava o cargou de ministro da Energia, acusado de abuso dos direitos humanos e corrupção.

Além dele, foram rejeitados os indicados de Karzai para as pastas da Justiça, Saúde, Comércio e Economia, assim como a única mulher da lista, Hosn Bano Ghazanfar, que nomeada para um Ministério especial dedicado às mulheres.

Um porta-voz do presidente Karzai disse que a decisão do Parlamento foi uma "má notícia", mas será respeitada.

Favores políticos

A votação no Parlamento é uma das poucas ocasiões em que a casa tem o poder de exigir explicações dos membros do Poder Executivo.

Os mais de 200 parlamentares alegaram que muitos dos indicados por Karzai foram escolhidos por "motivos alheios" à sua competência.

Segundo o correspondente da BBC em Cabul, Peter Greste, a rejeição de dois terços de seus indicados deve atrapalhar os esforços de Karzai para retribuir favores políticos sem ofender o Parlamento.

Ainda de acordo com Greste, o presidente afegão também precisa satisfazer doadores internacionais que haviam ameaçado suspender sua ajuda financeira a ministérios que fossem comandados por políticos acusados de corrupção.

Representantes da comunidade internacional enfatizaram várias vezes que o fim da corrupção é fundamental para estabilizar o país, principalmente após a polêmica reeleição de Karzai em agosto do ano passado, quando investigadores descobriram que mais de 25% dos votos foram fraudulentos.

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