Justiça revoga suspensão perpétua de Briatore da F1

Nelson Piquet Jr.
Image caption Flavio Briatore refutou as acusações de Nelsinho Piquet

O ex-diretor da escuderia Renault, de Fórmula 1, Flavio Briatore, teve revogada nesta terça-feira pelo Supremo Tribunal da França a sentença que o afastava perpetuamente do automobilismo.

O italiano tinha sido condenado pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) no ano passado, por causa de um episódio em 2008, no qual ele teria participado de uma conspiração para forçar o piloto Nelson Piquet Jr. a se chocar contra um adversário no Grande Prêmio de Cingapura.

O tribunal francês revogou o afastamento de Briatore e impôs uma indenização equivalente a mais de R$ 37 mil. Nas palavras do juiz que presidiu a corte, a "sanção era ilegal".

Representantes da FIA afirmaram que a organização provavelmente vai apelar da decisão.

Durante o julgamento, os advogados de Briatore argumentaram perante o tribunal francês que os procedimentos adotados durante a investigação do episódio contrariaram o código internacional da Federação.

"Temos a sensação de que alguma Justiça foi feita", disse o advogado Philippe Ouakrat, que defendeu o italiano. "Tenho certeza de que a corte ficou um tanto chocada com a forma como a decisão contra Briatore foi tomada."

Novo diretor

No entanto, a equipe Renault descartou a volta de Briatore ao comando ao anunciar Eric Boullier como seu novo diretor também nesta terça-feira.

O diretor de engenharia da Renault, Pat Symonds, também teve suspensa pelo tribunal da França a sentença de cinco anos de suspensão do automobilismo.

A polêmica que levou à suspensão de ambos começou com uma denúncia feita por Nelsinho Piquet, que teria batido na corrida para beneficiar o colega de escuderia Fernando Alonso.

Além de Briatore e Symonds, a Renault também acabou punida em setembro.

Já no mês seguinte, Briatore entrou na Justiça, alegando ter direito a uma defesa justa. Ele também pediu uma indenização de um milhão de euros, mas acabou ganhando 20 mil euros, enquanto Symonds receberá 5 mil euros.

Além da acusação de ter dado ordens para que Nelsinho Piquet batesse o carro, o que ameaçou a segurança da prova, a Renault teria violado o artigo 151C do Código Automobilístico Internacional, que considera uma infração “todo procedimento fraudulento ou manobra desleal para prejudicar a veracidade das competições ou os interesses do esporte automobilístico”.

A Renault também chegou a entrar com um processo na Justiça contra Nelsinho Piquet e seu pai afirmando que ambos “haviam feito comentários falsos e tentado chantagear a equipe para permitir que Piquet Jr. continuasse como piloto pelo resto da temporada 2009”.

Mas, dias depois, a Renault informou que não contestaria mais as alegações de irregularidades no GP de Cingapura, feitas por Nelsinho Piquet, e anunciou também a demissão de Flavio Briatore e de Pat Symonds.

Briatore não compareceu à audiência do Conselho Mundial da FIA. Sob sua direção, a Renault ganhou o título de campeã mundial de equipes em 2005 e 2006.