Xeque dos Emirados é inocentado de tortura

Xeque Issa bin Zayed al-Nahyan
Image caption Xeque chegou a ser detido em maio passado por causa da fita

Um integrante da família real de Abu Dhabi, que governa os Emirados Árabes Unidos, foi inocentado das acusações de tortura, apesar de uma fita de vídeo mostrá-lo espancando um homem e passando de carro por cima dele.

Os advogados do xeque Issa bin Zayed al-Nahyan, irmão do presidente dos EAU, declararam que a corte concordou com a tese da Defesa de que o xeque havia sido drogado e “não estava consciente de suas ações”.

O incidente veio à tona quando foi circulada uma fita de vídeo mostrando o espancamento de Mohammed Shah Poor, que teria ocorrido em 2004.

Esta é a primeira vez que um membro da família Real é investigado nos Emirados Árabes Unidos.

O advogado do xeque Issa, Habib al-Mulla, disse que a decisão da corte “esclareceu a posição do xeque Issa de que ele foi vítima de uma conspiração”, além de identificar os culpados.

Durante o julgamento, a defesa alegou que o xeque Issa foi drogado pelos irmãos americanos de origem libanesa Ghassan e Bassam Nabulsi, que teriam filmado o espancamento para chantageá-lo.

Os irmãos – que não compareceram ao julgamento - foram condenados a cinco anos de prisão por drogar o xeque, além de uma multa de 10 mil dirham (cerca de R$ 4.700).

Três outros homens foram condenados a penas entre um e três anos de prisão por sua participação na tortura.

‘Sinal de igualdade’

O vídeo, que circulou no ano passado, mostra o xeque Issa batendo violentamente em Poor, um mercador de grãos de origem afegã, e passando por cima dele com um carro.

Vários outros homens aparecem no vídeo ajudando o xeque, entre eles, um com o uniforme das forças de segurança dos EAU.

O incidente veio à tona depois que a rede de TV americana ABC mostrou cenas do vídeo, que foi levado para fora dos Emirados por um ex-sócio de Issa bin Zayed al Nahyan.

As informações são de que Poor havia perdido um carregamento de grãos pertencente ao xeque, no valor de US$ 5 mil (cerca de R$ 8.630). Ele sobreviveu ao espancamento, mas precisou de tratamento hospitalar.

Segundo o advogado do xeque, o fato de o julgamento ter sido realizado “é um sinal de que os EAU estão mostrando que todos no país podem ser levados diante da lei e julgados”.

Segundo o correspondente da BBC na região, Christian Fraser, o veredicto, no entanto, não deve agradar os ativistas que há anos criticam a situação dos direitos humanos no país.

Eles deverão argumentar que o resultado mostra, mais uma vez, que a família Real e os árabes emirenses em posição de poder estão acima da lei, afirma Fraser.

Os Emirados Árabes Unidos são uma federação de sete ricos emirados com vastas reservas de petróleo e uma grande população de expatriados. Cada emirado é governado por uma família e os cidadãos têm poucos direitos políticos.

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