'As pessoas não conseguiam ficar em pé', diz diplomata brasileira no Haiti

Haitianos nas ruas de Porto Príncipe
Image caption Muitos haitianos passaram a noite nas ruas de Porto Príncipe

O abalo provocado pelo terremoto que atingiu a capital do Haiti nesta terça-feira foi tão forte que muita gente teve dificuldades para se manter em pé, segundo o relato de uma diplomata brasileira em Porto Príncipe à BBC Brasil.

No momento do tremor, Gabriela Rezende, conselheira da Embaixada Brasileira no Haiti, estava na sede da missão brasileira em Porto Príncipe, no terceiro andar de um edifício no bairro Pétionville.

“Foi tudo muito rápido. Muitos funcionários da embaixada não conseguiam nem ficar de pé, então tivemos que esperar um pouco para o tremor parar e podermos descer a pé pelas escadas”, disse ela à BBC.

Segundo ela, não houve pânico entre os cerca de dez funcionários da embaixada que estavam no local no momento do tremor. “Descemos rápido, mas não houve pânico”, disse.

Rachaduras

O prédio onde fica a embaixada brasileira sofreu rachaduras, mas não chegou a ruir. O embaixador brasileiro no Haiti, Igor Kipman, não estava no local, já que está em Brasília.

Gabriela Rezende disse não ter visto muitos edifícios desmoronados na região da embaixada.

Segundo a conselheira, havia muitas pessoas nas ruas nervosas e chorando. “Não cheguei a ver ninguém seriamente ferido”, relatou.

Os funcionários da embaixada se refugiaram no Centro Cultural Brasil-Haiti, um edifício de dois andares que fica próximo ao prédio da embaixada e que não sofreu danos.

No momento do contato com a BBC, às 5h25 locais (8h25 de Brasília), havia ainda muita gente desabrigada nas ruas de Porto Príncipe, segundo a diplomata. “As pessoas não têm para onde ir e estão com medo de novos tremores”, disse ela.

Segundo a conselheira, até o final da madrugada desta quarta-feira ainda não havia informações claras sobre a situação dos brasileiros que vivem na capital haitiana, já que as comunicações estavam dificultadas pelo corte das comunicações telefônicas.

A ligação feita pela BBC Brasil ao seu celular foi a primeira que ela conseguiu receber desde o terremoto, segundo ela. Os principais contatos dos diplomatas brasileiros estavam sendo feitos por meio de uma conexão de internet, também precária.

“Estamos esperando clarear para termos uma noção melhor dos estragos”, afirmou.

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