Comandante das tropas dos EUA estima que 200 mil pessoas tenham morrido no Haiti

Haitiano procura por parentes em meio a vítimas do terremoto (AFP)
Image caption Autoridades estimam que 70 mil vítimas já foram enterradas em valas comuns

O general americano Ken Keen, que comanda as tropas dos Estados Unidos no Haiti, afirmou que é razoável presumir que até 200 mil pessoas tenham morrido no terremoto da última terça-feira.

Segundo o militar, trata-se de um desastre de “proporções épicas”, mas ainda é “muito cedo para saber” o custo total de vidas.

“A comunidade internacional está considerando esses números (entre 150 mil e 200 mil mortos) e eu acho que isso é um ponto de partida”, disse Keen.

Relatos das equipes de resgate apontam que ao menos 70 mil vítimas já foram enterradas em valas coletivas no Haiti.

“Claramente, este é um desastre de proporções épicas e nós temos muito trabalho pela frente”, disse o general.

Dentro do esforço americano para auxiliar o Haiti, a Casa Branca informou que 7.500 soldados deveriam chegar ao país nesta segunda-feira.

Secretário-geral da ONU

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, pediu aos cada vez mais frustrados haitianos que tenham paciência em relação aos esforços para o envio de ajuda humanitária ao país após o terremoto que provocou devastação no país na última terça-feira.

Durante uma visita à capital haitiana, Porto Príncipe, no domingo, Ban disse que a situação no país é “a maior crise humanitária em décadas”.

O secretário-geral esteve também em um acampamento provisório para sobreviventes em frente ao palácio presidencial, que foi destruído pelo tremor. Ban foi recebido por pessoas que gritavam: “Onde está a comida? Onde está a ajuda?”.

Ban disse entender a frustração das pessoas, mas disse que não quer ver episódios de violência entre os sobreviventes desesperados. “Faço um apelo ao povo haitiano para que seja mais paciente”, disse.

Segundo ele, a entrega de alimentos diariamente para cerca de 2 milhões de pessoas, como prometido pela ONU, seria um “desafio enorme”.

“Precisamos estar seguros de que nossa ajuda chegue às pessoas que precisam dela o mais rápido possível”, disse.

Dificuldades

Alimentos e água finalmente começaram a chegar no fim de semana a algumas regiões de Porto Príncipe, mas os esforços humanitários ainda estão sendo dificultados por obstáculos.

Um grande número de sobreviventes tem tido que recorrer à ajuda de outros sobreviventes, por causa da demora na chegada de ajuda externa.

Leia na BBC Brasil : Terremoto no Haiti é 'pior desastre' da história da ONU

Muitos moradores de Porto Príncipe estão tentando deixar a cidade. Há ainda preocupação com os crescentes relatos de episódios de saques e de violência.

“Temos 2 mil policiais em Porto Príncipe que foram gravemente afetados pelo terremoto. E 3 mil bandidos escaparam da prisão”, disse Ki-Moon. “Isso dá uma ideia de como a situação está ruim.”

Segundo relatos, vários saqueadores foram linchados ou mortos a tiros por pessoas comuns nas ruas da capital.

Sede destruída

Ban Ki-Moon também visitou em Porto Príncipe as ruínas da sede da missão da ONU no país, onde vários funcionários foram mortos, entre eles o chefe da missão, o tunisiano Hedi Annabi, e o brasileiro Luiz Carlos da Costa, o segundo na linha de comando da organização no Haiti.

Ainda no domingo, um funcionário dinamarquês da ONU foi retirado com vida dos escombros do prédio.

Outras quatro pessoas foram encontradas com vida entre escombros de edifícios destruídos em Porto Príncipe no domingo.

Leia na BBC Brasil: ONU confirma morte de brasileiro Luiz Carlos da Costa

O Programa de Alimentos da ONU disse que esperava no domingo atender a 60 mil pessoas, contra 40 mil no dia anterior.

Um funcionário do governo americano afirmou que as autoridades americanas enviaram 130 mil refeições, mas disse que ainda mais são necessárias.

Movimento

Segundo correspondentes da BBC em Porto Príncipe, há uma sensação na cidade de que há finalmente algum movimento em relação aos esforços de ajuda, ainda que a quantidade de suprimentos seja muito pequena em relação à necessidade.

Segundo o jornalista David Loyn, da BBC em Porto Príncipe, as ruas da capital estão cheias de pessoas desabrigadas, que vêm dormindo ao relento. Muitos têm que andar por horas pela cidade para buscar comida e água.

A maior parte dos alimentos e da água tem sido distribuída informalmente por pessoas comuns.

Várias agências ou países reclamaram de não ter conseguido entregar sua ajuda pelo aeroporto de Porto Príncipe, que está fortemente congestionado.

O porto da capital está seriamente danificado, e muitas estradas ainda estão bloqueadas por corpos e escombros.

Segundo a ONU, os governos do Haiti e da República Dominicana, que dividem a ilha Hispaniola, estão planejando um corredor humanitário alternativo de 130 quilômetros por terra para permitir a entrega de suprimentos a partir da cidade dominicana de Barahona.

A ONU também advertiu sobre a escassez de combustível no país, que pode afetar as operações humanitárias.

Notícias relacionadas