Amorim diz que Brasil 'não está preocupado' com liderança no Haiti

Militares brasileiros distribuem alimentos em frente ao Palácio Nacional, em Porto Príncipe (foto: Agencia Brasil)
Image caption Militares brasileiros têm participado dos esforços humanitários no Haiti

Em visita ao Haiti neste sábado, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o Brasil “não está preocupado” com a liderança regional, e sim com a “reconstrução” do Haiti.

“Ao contrário do que a mídia pode pensar, o Brasil não está preocupado com a liderança regional, mas sim em ajudar o Haiti, com respeito aos mandatos internacionais e com respeito ao governo do Haiti”, disse o ministro brasileiro.

Nesta sexta-feira, o general Floriano Peixoto, que lidera as forças de paz das Nações Unidas no Haiti, disse que a presença brasileira no país caribenho é uma oportunidade para o Brasil “mostrar sua importância”.

Ainda de acordo com o general, o Brasil tem “um peso enorme” na intermediação de conflitos e que a participação brasileira no Haiti “contribui bastante” para a campanha do país por um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Segundo Amorim, “é importante que o povo do Haiti sinta que seu governo, o governo que ele elegeu, é o governo que está conduzindo (o processo de reconstrução), naturalmente com o apoio da comunidade internacional”.

O ministro disse ver com “preocupação” a ideia de que o mandato da Minustah (Missão de Paz da ONU no país) deva ser revisto em função da tragédia.

“Algumas dessas ideias podem ser no sentido de uma maior interferência na governança haitiana. Isso não é uma coisa tão positiva. Temos que dar apoio para que o Haiti se governe”, disse.

Questionado sobre a viabilidade de um acordo para a recuperação do Haiti nos moldes do Plano Marshall, que ajudou na reconstrução da Europa após a Segunda Guerra Mundial, Amorim disse, em tom de brincadeira, que o projeto poderia se chamar “Plano Lula”.

A presença de mais de cinco mil militares americanos no Haiti suscitou uma discussão na comunidade internacional sobre quem estaria à frente, tanto da segurança como da reconstrução do país caribenho.

A expectativa é de que até 15 mil militares americanos estejam em território haitiano até a próxima semana. O Brasil, que comanda as forças de paz da ONU, tem 1.266 homens e pretende dobrar esse número. O assunto será discutido nesta segunda-feira, pelo Congresso Nacional.

Durante uma megaoperação para distribuição de alimentos e água, nesta sexta-feira, o general Peixoto disse que “o Brasil está no comando”.

“Lamentavelmente, a imprensa tem dado pouco destaque à participação brasileira. É muito importante que haja uma percepção do trabalho do Brasil”, disse o general.

Amorim acrescentou que a presença brasileira no Haiti é “de longo prazo”, enquanto a participação americana ?é provisória?.

Ajuda

Amorim disse também que o Brasil vai oferecer mais US$ 15 milhões para ajudar na reconstrução do país caribenho.

O governo brasileiro já havia aprovado um auxílio financeiro de US$ 15 milhões, poucos dias após o terremoto. Desse montante, US$ 5 milhões já estão com as Nações Unidas.

Segundo Amorim, o restante da ajuda "está em processo" e deve ser liberada "muito rapidamente".

Durante a conversa com o primeiro-ministro do Haiti, Jean-Max Bellerivee, pela manhã, Amorim disse que ofereceu, ainda, ajuda para recompor o governo local.

"Ofereci, entre outras possibilidades, a formação de quadros administrativos também, porque uma grande parte dos quadros do Haiti desapareceram, morreram", disse.

"É muito importante que haja a percepção de que o governo haitiano está em controle da situação", acrescentou Amorim.

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