Governo britânico 'rejeitou advertência sobre ilegalidade da Guerra do Iraque'

Soldados britânicos no Iraque
Image caption O ministro do Exterior teria dito que a lei internacional era 'vaga'

Os dois mais importantes conselheiros legais do Ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha nos meses que antecederam a guerra no Iraque afirmaram que advertiram o governo em diversas ocasiões que a invasão era “ilegal”.

As declarações dos advogados Michael Wood e Elizabeth Wilmshurst foram feitas nesta terça-feira durante um inquérito parlamentar britânico sobre os fatos que antecederam a guerra no Iraque, iniciada em setembro de 2002.

Wood disse que alertou o então ministro do Exterior, Jack Straw, que a invasão sem o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) “seria um crime de agressão”.

Straw, no entanto, teria dito a Wood que ele estava sendo “dogmático” e que “a lei internacional era bastante vaga”.

Na semana passada, Straw prestou depoimento no inquérito e afirmou que a decisão de apoiar a guerra no Iraque foi “a mais difícil” da sua carreira, descrevendo-a como “um dilema político e moral profundamente difícil”.

‘Sem transparência’

Elizabeth Wilmshurst, que renunciou ao cargo em protesto dias antes da invasão, descreveu o processo como “lamentável” e sem transparência.

De acordo com os advogados, os ministros britânicos teriam rejeitado os alertas dos conselheiros e seguido a opinião formal do então advogado-geral, Peter Goldsmith, que afirmou que a força poderia ser usada legalmente sem a aprovação da ONU.

Goldsmith deve prestar depoimento no inquérito nesta quarta-feira. Além dele, o ex-primeiro-ministro Tony Blair será ouvido pelo inquérito, que também ouvirá o ex-ministro da Defesa britânico Geoff Hoon.

O atual primeiro-ministro, Gordon Brown, que sucedeu Blair no poder, deverá ser ouvido depois das eleições gerais, esperadas para maio.

O relatório final do inquérito será publicado no começo do ano que vem.

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