Chávez nega rumores de golpe e nomeia ministro da Agricultura como vice

Presidente venezuelano Hugo Chávez
Image caption Chávez ameaçou acelerar a revolução bolivariana se a oposição insistir na "desestabilização" de seu governo

Colocando fim a uma onda de especulações sobre os rumos do governo, o presidente da Venezuela Hugo Chávez anunciou no final da noite de terça-feira a nomeação do ministro de Agricultura, Elias Jaua, como o novo vice-presidente do país.

Jaua, que continuará à frente da pasta da Agricultura, substituirá o general Ramón Carrizález, que renunciou, na segunda-feira, à vice-presidência e ao ministério de Defesa, alegando razões “estritamente pessoais”.

"Se trata de um jovem venezuelano, entregado à revolução, que se sobressai pela sua honestidade, transparência e capacidade de trabalho", afirmou Chávez em transmissão pelo canal estatal.

A renúncia do vice-presidente e de sua mulher, a ministra do Meio Ambiente, Yubirí Ortega, gerou uma série de especulações sobre uma possível crise interna no governo e inclusive rumores de desestabilização no interior das Forças Armadas.

À esquerda

Elias Jaua, considerado um dos homens de confiança do presidente, já havia sido designado no início do ano como um dos quatro vice-presidentes do Conselho de Ministros para a área Econômica. Antes de assumir a pasta de Agricultura, Jaua foi ministro de Economia Popular e chefe do Despacho presidencial.

Membro da ala de esquerda do "núcleo duro" do governo, Jaua encabeçou as principais desapropriações de terras consideradas improdutivas realizadas nos últimos anos, contabilizando mais de 2,5 milhões de hectares.

Para assumir o ministério da Defesa, Chávez nomeou o general Carlos Mata Figueroa, chefe do Comando Estratégico Operacional do Exército. “É um dos homens em quem mais tenho me apoiado. É um general da nova camada, dos jovens que ascenderam", disse Chávez, ao apresentar o novo ministro.

O condutor do programa da TV estatal La Hojilla - com quem Chávez se comunicou via satélite - disse que ao longo do dia foram enviadas mensagens de texto e via internet alertando sobre rumores de golpe de Estado.

"Os que estão pensando em rumores, não percam tempo. As Forças Armadas estão comprometidas com a revolução. Aqui não há outro caminho diferente do caminho revolucionário", discursou o novo ministro Mata Figueroa.

Para substituir a ministra do Meio Ambiente, Chávez escolheu Alejandro Hitcher, atual presidente da companhia estatal Hidroven.

RCTV

Chávez criticou os protestos violentos encabeçados por grupos opositores em algumas cidades do país e advertiu que poderá "acelerar" as mudanças em seu governo, caso a oposição opte por sair da via institucional como solução política.

"O que poderia acontecer, se vão pelo caminho da desestabilização, é contrário ao que vocês querem: que nós decidamos acelerar mais as mudanças", afirmou. "Vocês querem que eu aprofunde ainda mais a revolução? Continuem por este caminho", acrescentou.

Nesta terça-feira, estudantes opositores voltaram às ruas das principais cidades do país em protesto contra a suspensão do canal opositor RCTV, que foi tirado do ar junto com outras cinco emissoras, por suposta violação à legislação nacional.

Dois estudantes foram mortos na segunda-feira durante enfrentamento entre grupos pró e anti-Chávez.

Chávez afirmou que andam dizendo "que é um governo que viola a Constituição. São vocês que estão violando a lei, que não querem reconhecer o Estado", disse.

"Eu sugiro que tomem consciência. Aqui não conseguirão uns militares como os de Honduras", afirmou o mandatário, em referência à deposição do presidente hondurenho Manuel Zelaya.

Aliado aos problemas sofridos em seu gabinete, Chávez enfrenta uma dura crise ocasionada pelo racionamento de energia e água, em consequência da escassez de chuvas e de investimentos no setor energético.

Para analistas, esses fatores podem fragilizar a base de apoio do governo em um ano decisivo para o chavismo. Em setembro, os venezuelanos vão às urnas definir a nova composição do Congresso Nacional, hoje controlado por uma ampla maioria governista.

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