Análise: Como 'Avatar' afundou 'Titanic'

Cena de 'Avatar'
Image caption O filme foi considerado por alguns como 'antiamericano'

O navio Titanic afundou em 1912. Agora, o campeão de bilheteria de cinema que ele inspirou também se foi.

Desta vez, contudo, não foi por causa de um iceberg, mas um filme de 3D sobre extraterrestres de pele azul que defendem o seu planeta de invasores humanos.

No final da década passada, o épico de James Cameron, Titanic, tornou-se o filme de maior bilheteria já visto, com arrecadação global de US$ 1,843 bilhão.

Mas o recorde foi superado graças a Avatar, também dirigido por Cameron, e que esta semana sagrou-se o maior campeão de bilheteria de todos os tempos, com uma arrecadação mundial de US$ 1,859 bilhão.

Surpresa

É um feito surpreendente para o canadense de 55 anos, e um que dificilmente ele deve repetir na vida.

E este também é um triunfo para o estúdio cinematográfico 20th Century Fox, e a sua proprietária, NewsCorp, que financiaram este filme ousado - uma estória de ficção científica que teve boa parte feita através de imagens geradas por computador.

Avatar é um fenômeno que identificou tendências dos tempos atuais de uma maneira que poucos poderiam ter previsto.

E conseguiu isso apesar das poucas estrelas e sem elogios unânimes entre os críticos. Vários não se impressionaram com a trama e nem com o diálogo.

'Antiamericano'

O filme também foi criticado por blogueiros - alguns disseram que ele tem um sub-texto antiamericano e defende os interesses de ambientalistas.

Teve quem dissesse que o filme é racista por apresentar um herói branco que dá ajuda a uma população indígena - boa parte retratada por atores afro-americanos ou indígenas americanos.

Ninguém iria considerar Avatar uma obra de alto valor artístico, e tampouco ver Titanic como uma obra-prima moderna.

Mesmo assim, ele tem a seu favor efeitos visuais de última geração que transportam o espectador para um mundo extraterrestre espetacularmente elaborado.

Avatar foi o primeiro filme de Cameron desde Titanic, que levou onze Oscars em 1998, e isso já iria garantir um lançamento estrondoso. Além disso, o filme chegou às telas na hora certa, acompanhado de marketing agressivo e de uma iniciativa da indústria cinematográfica para reavivar a moda de filmes em 3D.

Competição

Se Avatar tivesse sido lançado há seis meses, teria enfrentado uma competição muito maior por público e salas exibidoras.

Como veio às telas em dezembro, o filme ficou um mês sem um competidor à altura.

Os rivais da Fox podem ter evitado, deliberadamente, lançar outro produto ao mesmo tempo de Avatar, cientes da expectativa que cercaria este filme tão promovido.

Notícias não confirmadas sugerem que a Fox gastou até US$ 150 milhões para promover um filme que, segundo alguns, custou US$ 300 milhões.

Talvez o fator-chave para o sucesso de Avatar tenha sidoa forma como ele tirou proveito do formato 3D.

No ano passado, filmes como Monstros Vs Alienígenas e A Era do Gelo-3 mostraram que os filmes 3D eram comercialmente viáveis.

Avatar conseguiu capitalizar no sucesso deles e nos preços mais altos de ingressos de cinemas que apresentavam o filme em 3D.

De acordo com a empresa de análise da área de entretenimento, Nielsen EDI, as exibições do filme em "2D" representam apenas 15% da bilheteria de Avatar - o restante veio de exibições em 3D ou em telas IMAX 3D.

Estes dados são um bom prenúncio para as futuras estreias de Alice, no País das Maravilhas, de Tim Burton, Toy Story-3 e Tron: Legacy.

Eles também encorajam mais cinemas a instalarem equipamento digital necessário para a exibição de filmes em 3D.

E como fica a situação de Cameron? Agora ele fica ombro a ombro com o diretor da série O Senhor dos Anéis, Peter Jackson, e de Piratas do Caribe, Gore Verbinski. Eles tiveram dois filmes entre os 10 maiores campeões de bilheteria.