China adverte Obama contra encontro com Dalai Lama

Dalai Lama (arquivo)
Image caption Representante chinês criticou tibetanos e chamou Dalai Lama de 'desordeiro'

A China advertiu os Estados Unidos que um encontro entre o presidente americano, Barack Obama, e o líder espiritual tibetano, Dalai Lama, pode prejudicar as relações entre os dois países.

A Casa Branca indicou que o presidente americano pretende se reunir com o líder espiritual tibetano no exílio, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1989.

Zhu Weiqun, uma autoridade do Partido Comunista chinês, afirmou que vai haver uma "ação correspondente" caso o encontro realmente ocorra.

"Isso vai prejudicar muito as fundações das relações políticas entre Estados Unidos e China", afirmou. "Se acontecer, vamos tomar medidas correspondentes para fazer com que os países relevantes compreendam seus erros."

Reunião

Os comentários de Weiqun foram feitos depois de uma reunião entre o governo chinês e os representantes do Dalai Lama no país. A reunião, no entanto, não resultou em um avanço nas relações entre a China e o líder espiritual tibetano.

Esta é a nona vez que os dois lados se encontram desde 2002, mas ainda não conseguiram progresso nas relações, como reconheceu o próprio representante do Partido Comunista.

"As opiniões dos dois lados continuam profundamente divididas", afirmou. "Estamos acostumados, isso se transformou em uma regra, e não em uma exceção."

De acordo com a China, os tibetanos novamente reiteraram a esperança pela introdução de maior autonomia para a região do Himalaia.

Weiqun, por sua vez, afirmou que não há possibilidade de "comprometimento" sobre a soberania do Tibete e acrescentou que o Dalai Lama é um "desordeiro".

"Ele devia fazer uma análise profunda de suas palavras e atos e corrigir radicalmente suas opiniões políticas se ele realmente espera resultados destes contatos e reuniões", disse.

As reuniões entre a China e os tibetanos no exílio, que ficam baseados em Dharamsala, na Índia, ocorrem depois de uma importante conferência que ocorreu em dezembro, organizada por autoridades chinesas para rever as políticas em relação ao Tibete.

O governo de Pequim acusa o Dalai Lama de tentar minar seu poder no Tibete. O Dalai Lama fugiu para a Índia quando tropas chinesas reprimiram uma tentativa de levante no Tibete, em 1959.