ONU nomeia Bill Clinton para coordenar ajuda ao Haiti

Image caption Clinton já tinha o posto de enviado da ONU para o Haiti

O ex-presidente americano Bill Clinton, atualmente na função de enviado especial das Nações Unidas para o Haiti, foi nomeado nesta quarta-feira pela entidade para coordenar as operações de ajuda humanitária ao país.

Três semanas após o terremoto de 7 graus de magnitude que devastou a capital, Porto Príncipe, a ONU admitiu que os esforços de ajuda estão desorganizados, mas diz que a situação melhora a cada dia.

"Existe uma quantidade enorme de solidariedade, um fluxo inédito de ajuda e boas intenções e dinheiro. A ideia é garantir que ela seja usada da melhor forma", disse o porta-voz da ONU, Martin Nesirky.

Após receber o convite do secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, Clinton disse estar “feliz por assumir um papel maior nos esforços de reconstrução” e que aprenderia lições com outros desastres, como o tsunami de 2004.

Analistas dizem que Clinton recebe forte apoio dentro da ONU por ter grande trânsito dentro da instituição e no governo americano, que vinha liderando os esforços humanitários até agora.

A ONU possui mais de 12,6 mil soldados e policiais no Haiti e vinha participando das missões humanitárias ao lado dos EUA, que enviaram mais de 10 mil militares ao país.

200 mil mortos

O primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive, disse na quarta-feira que mais de 200 mil pessoas morreram no terremoto do dia 12 de janeiro.

Ainda segundo o premiê, 300 mil feridos estavam sendo atendidos em hospitais ou centros médicos do país, sendo que quatro mil deles tiveram de sofrer amputações.

Além disso, cerca de um milhão de haitianos ficaram desabrigados, já que mais de 250 mil casas e 30 mil estabelecimentos comerciais desmoronaram, informou Bellerive.

“Em termos de números, é um desastre de proporções planetárias”, declarou.

Sobre o caso dos missionários americanos presos quando tentavam levar 33 crianças haitianas para a República Dominicana, o premiê declarou que se trata de uma distração.

“Estão falando mais sobre essas dez pessoas do que sobre o um milhão de haitianos que está sofrendo nas ruas”, disse.

A Justiça haitiana deve decidir nesta quinta-feira se vai processá-los ou não por tráfico de crianças.

Protesto

Ainda nesta quarta-feira, centenas de pessoas protestaram pedindo comida em Porto Príncipe. Os manifestantes reclamam que oficiais corruptos manipulam a ajuda humanitária, que acaba não chegando à população.

"Eles roubam arroz, eles roubam arroz", gritavam manitestantes, referindo-se ao governo local.

Eles disseram que o governo estaria cobrando da população os cupons da ONU que dão direito gratuitamente a alimentos.

Correspondentes dizem que a ajuda que chega por avião e navio ao Haiti demora a chegar às vítimas do terremoto por causa de problemas de infraestrutura e casos isolados de violência.