Itália diz que sua embaixada no Irã foi atacada

Iranianos protestam em frente à embaixada italiana em Teerã
Image caption Iranianos protestaram em frente à embaixada italiana em Teerã

O ministro do Exterior italiano, Franco Frattini, disse nesta terça-feira que dezenas de pessoas, incluindo membros da milícia pró-governo iraniana Basij, tentaram atacar a embaixada da Itália na capital do Irã, Teerã.

Os milicianos, vestidos com roupas civis, atiraram pedras contra o prédio e gritaram "Morte à Itália" e "Morte a Berlusconi (Silvio Berlusconi, primeiro-ministro italiano)", de acordo com as declarações de Frattini em uma audiência no Senado italiano.

A imprensa do Irã informou que um protesto ocorreu, mas não esclareceu se houve algum tipo de violência.

De acordo com analistas, o protesto pode estar ligado à promessa de Berlusconi de apoiar Israel e ao pedido de sanções mais severas contra o Irã, durante uma visita do premiê italiano a Jerusalém na semana passada.

Países ocidentais estão pressionando ainda mais o Irã devido ao seu programa nuclear. Nesta semana o governo iraniano anunciou o início do processo de enriquecimento de urânio a 20%.

A Itália é o maior parceiro comercial do Irã na União Europeia.

Sem danos

Em seu pronunciamento, Frattini afirmou que cerca de cem manifestantes "hostis" atiraram ovos e pedras contra a embaixada em Teerã e foram impedidos pela polícia de entrar no prédio.

Frattini acrescentou que não houve "danos significativos" às instalações da embaixada.

"Estamos mantendo contato com a União Europeia" com o objetivo de "expressar a forte preocupação" causada pelo incidente, disse Frattini.

Frattini acrescentou que a Itália cancelou a participação, na quinta-feira, em eventos que marcam o aniversário da revolução islâmica no Irã.

Segundo a agência iraniana de notícias Fars, os manifestantes "condenam as ações do governo (italiano) ao apoiar os rebeldes e interferir com os negócios internos do Irã".

Também ocorreram protestos em frente às embaixadas da França e da Holanda em Teerã.

A milícia Basij, formada por cerca de 90 mil voluntários, é normalmente convocada para acabar com distúrbios por meio da força e esteve envolvida na repressão aos protestos contra a reeleição do presidente, Mahmoud Ahmadinejad, em junho do ano passado.

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