Bombas caseiras atrasam ofensiva contra Talebã

Soldados americanos no Afeganistão
Image caption Operação é a maior na região desde a queda do Talebã em 2001

Ataques de atiradores e bombas caseiras atrasaram nos últimos dias os avanços da ofensiva de uma força conjunta formada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e forças afegãs contra militantes do Talebã na província de Helmand, no Afeganistão.

A operação Moshtarak entrou em seu terceiro dia nesta segunda-feira, e militares afegãos afirmam que os insurgentes estão sendo expulsos de seus redutos nas áreas ao redor das cidades de Marjah e Nad Ali.

No entanto, os soldados americanos em Marjah têm enfrentado a resistência de atiradores que ainda estão na região e de bombas improvisadas colocadas no local.

De acordo com o correspondente da BBC na base aérea de Kandahar, Frank Gardner, existe uma diferença clara entre a cidade de Nad Ali, onde estão as tropas britânicas, e Marjah, ao sul, onde estão concentrados os soldados americanos.

O correspondente afirma que as forças britânicas conseguiram se mover rapidamente, enquanto os fuzileiros americanos avançam lentamente e com mais dificuldades do que esperavam.

Gardner diz que os envolvidos na operação Moshtarak parecem ter subestimado a dimensão dos problemas causados pelas bombas caseiras colocadas na beira das estradas, apesar do uso de todo o equipamento de alta tecnologia que inclui câmeras com dispositivos infra-vermelhos e um sistema de vigilância aérea.

Rumo ao norte

Os insurgentes que escolheram permanecer na província, mesmo com a operação em andamento, estariam concentrados na área de Marjah. De acordo com a agência de notícias francesa AFP, uma coluna de veículos armados foi alvo dos disparos de pelo menos três equipes de atiradores.

Já em Nad Ali, muitos integrantes da força-tarefa britânica afirmam que os militantes do Talebã na área depuseram suas armas ou partiram em direção ao norte, para a cidade de Sangin.

De acordo com o setor de inteligência da Otan, a resistência dos insurgentes está desarticulada. Segundo a aliança militar ocidental, o Talebã estaria evitando lançar ataques no momento para verificar se a Otan e os aliados afegãos se retiram da região nos próximos dias.

Apesar dos contratempos, a Otan e os comandantes das forças afegãs afirmam que têm as tropas necessárias para manter o controle do território tomado dos insurgentes.

Eles esperaram contar, em breve, com mais centenas de policiais recém-treinados para restabelecer o governo afegão na região.

Teste

A operação Moshtarak, que significa "juntos" no idioma dari (um dos idiomas oficiais do país), é a maior operação da coalizão desde a queda do Talebã em 2001.

A coalizão formada por 15 mil soldados conta com 4 mil fuzileiros americanos e um número equivalente de soldados britânicos, além de um grande contingente afegão. Também estão envolvidos soldados de Estônia, Canadá e Dinamarca.

A operação também é considerada o primeiro grande teste para a nova estratégia do presidente americano Barack Obama para o Afeganistão.

A Otan já afirmou que a segurança dos civis na área da operação é prioridade. No entanto, no domingo, dois foguetes disparados contra militantes erraram o alvo e atingiram um prédio, onde 12 afegãos foram mortos.

O comandante da Otan, general Stanley McChrystal, suspendeu o uso do sistema de lançamento de foguetes usado na operação, e o presidente afegão, Hamid Karzai, exigiu uma investigação.

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