Comissão Europeia pede explicações sobre operações financeiras da Grécia

O ministro das Finanças grego George Papaconstantinou
Image caption Papaconstantinou pediu mais detalhes de plano de apoio da União Europeia

A Comissão Europeia pediu que a Grécia explicasse relatos de que teria escondido o verdadeiro tamanho de sua dívida usando transações financeiras complexas para disfarçar os números.

A agência de estatísticas europeia, a Eurostat, afirmou nesta segunda-feira que a Grécia falsificou as informações referentes a 2009.

O governo grego teria usado estas transações, estabelecidas por um banco de investimentos americano há alguns anos, para conseguir grandes quantias de dinheiro emprestado sem que o dinheiro fosse registrado como dívida.

A União Europeia agora deu à Grécia um prazo até o fim de fevereiro para dar mais detalhes sobre como as transações financeiras, chamadas de trocas de moeda, afetaram os relatórios financeiros do governo da Grécia desde 2001.

O ministro da Fazenda grego, George Papaconstantinou, afirmou que algumas das trocas de moeda "eram, na época (em que foram feitas) consideradas legais, e a Grécia não era o único país" usando este recurso.

Papaconstantinou acrescentou que estas operações "agora são consideradas ilegais e a Grécia não as usou desde então".

O déficit público da Grécia, de 12,7% do PIB, é mais de quatro vezes maior do que o permitido pelas regras da zona do euro impostas aos 16 países da União Europeia que adotam a moeda.

Diante desse cenário, o temor de que o país não será capaz de pagar uma dívida de mais de 16 bilhões de euros, que vence entre abril e maio, vem causando preocupação entre os investidores.

Explicações

O ministro grego pediu também que os países membros da zona do euro divulguem uma explicação mais detalhada do eventual plano do bloco para ajudar o país a sair da crise financeira.

Na última quinta-feira, os líderes dos países da zona do euro prometeram ajudar o país, mas não deram detalhes de como este apoio será dado.

Papaconstantinou afirmou que esta explicação é necessária para diminuir os temores nos mercados financeiros de que a Grécia poderia não pagar suas dívidas.

"Acho que o que vai impedir que os mercados ataquem a Grécia, no momento, é uma mensagem mais explícita que faça com que o que foi decidido na última quinta-feira se transforme em algo mais prático", disse o ministro à agência de notícias AP.

Papaconstantinou acrescentou que os 16 países da zona do euro precisam "criar um mecanismo" para ajudar qualquer país membro do bloco que não consiga pagar suas dívidas.

As declarações de Papaconstantinou foram feitas enquanto os ministros das Finanças dos países membros da União Europeia se reuniam em Bruxelas para discutir medidas de austeridade que já foram anunciadas pelo governo grego.

Devido ao temor de que o país não consiga pagar sua dívida, o euro sofreu na semana passada uma forte desvalorização, e as bolsas de Espanha e Portugal, países que enfrentam problemas estruturais similares aos gregos, despencaram.

Os demais países da zona do euro expressaram o apoio "aos esforços do governo grego e ao compromisso de fazer tudo o que for necessário” para cumprir os objetivos determinados por seu plano de austeridade fiscal.

Um dos pontos desse plano que será observado atentamente pelas autoridades europeias é o compromisso do país de reduzir efetivamente o déficit público em quatro pontos percentuais em 2010.

O programa de austeridade fiscal elaborado pelo governo grego, que inclui medidas como o congelamento dos salários dos funcionários públicos e o aumento da idade de aposentadoria, não conta com a simpatia da população.

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