França promete investigar exposição de soldados a material nuclear

Primeiro testes de bomba nuclear da França em Reggane (Argélia), no sul do deserto de Saara, fevereiro de 1960 (arquivo)
Image caption Testes franceses foram realizados no sul do deserto do Saara

O ministro da Defesa francês, Herve Morin, prometeu nesta terça-feira uma investigação transparente das alegações publicadas em um jornal local de que o governo da França teria exposto deliberadamente seus soldados a contaminação nuclear durante testes.

O jornal Le Parisien alega que teve acesso a documentos secretos que mostrariam que a França expôs seus soldados a explosões nucleares na Argélia na década de 1960.

O objetivo seria estudar o efeito da radiação atômica nos seres humanos. Segundo o jornal, 300 militares foram deliberadamente expostos, participando de experiências que os obrigavam a entrar em áreas contaminadas.

Morin afirmou que todos os testes efetuados na época ocorreram de forma segura, mas afirmou que uma nova investigação será realizada.

Manobras arriscadas

Segundo a correspondente da BBC em Paris, Emma Kirby, o Le Parisien citou um relatório oficial do Ministério de Defesa.

De acordo com os documentos, o Exército francês enviou seus soldados em manobras arriscadas, deliberadamente, no dia 25 de abril de 1961, com o objetivo de "estudar o efeito físico e psicológico de armas atômicas em humanos", para prepará-los para a guerra moderna.

O jornal afirmou que o documento detalhava como a experiência funcionava, explicando que cerca de 300 soldados vestidos apenas com bermudas e camisetas receberam ordens de se deitar e cobrir os olhos durante as explosões.

Outros teriam sido obrigados a entrar na área contaminada para checar o impacto da explosão e determinar se teriam capacidade física de resistir no caso de um ataque nuclear.

O ministro da Defesa insistiu que as doses de radioatividade recebidas pelos soldados naquela ocasião foram baixas, mas prometeu a realização de mais pesquisas científicas e a divulgação total dos resultados ao público.

O governo francês já concordou em indenizar as vítimas de experiências nucleares realizadas na década de 1960 na Argélia, reconhecendo a ligação entre as explosões realizadas no país e doenças como câncer diagnosticadas em veteranos.

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