Líder de junta militar assume ‘governo de transição’ no Níger

O coronel Salou Djibo. Foto: SIA KAMBOU/AFP/Getty Images
Image caption Djibo ficaria no poder apenas durante o período de transição

O líder da junta militar que tomou o poder no Níger foi nomeado, nesta segunda-feira, chefe de Estado do que os militares chamam de “governo de transição”.

Com a decisão, o coronel Salou Djibo, que lidera a junta autodenominada Conselho Supremo para Restauração da Democracia (CRSD), passa a ser o presidente interino do país africano e terá poderes para indicar e demitir ministros, inclusive o premiê.

“(A CRSD) é a maior autoridade para desenvolver e direcionar as políticas nacionais e é liderada por um presidente que irá exercer a função de chefe de Estado e de Governo”, afirmaram os militares em um decreto lido na rádio estatal.

Segundo a junta, a nova estrutura de poder terá efeito apenas durante o período de transição. Os militares não afirmaram, no entanto, a duração desse período transitório.

No domingo, após uma reunião com representantes de uma missão internacional, os militares já haviam afirmado que criariam um órgão responsável pela elaboração da nova Constituição do Níger e que realizariam eleições.

Golpe

Image caption Tadja provocou crise política quando alterou a Constituição do país

A junta assumiu o poder em um golpe de Estado na última quinta-feira após capturar o presidente, Mamadou Tandja, e membros do gabinete do governo.

Após a captura, os militares anunciaram a suspensão da Constituição e a dissolução de todas as instituições do Estado.

De acordo com os líderes da junta, o objetivo deles é restaurar a democracia e resgatar a população "da pobreza, do engodo e da corrupção".

Desde o golpe, o Níger já foi suspenso da União Africana (UA) e da Comissão da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (ECOWAS, na sigla em inglês).

O golpe foi condenado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon e por diversos países, como os Estados Unidos e o Brasil.

Na capital, no entanto, parte da população apoia a tomada de poder pelos militares.

No sábado, milhares de pessoas foram às ruas na capital para demonstrar apoio ao golpe militar e segundo o correspondente da BBC em Niamey Caspar Leighton, a população parece continuar com as atividades normais.

Instabilidade

Image caption Milhares foram às ruas para demonstrar apoio ao golpe

O presidente Mamadou Tandja provocou uma crise política em agosto passado quando alterou a Constituição do país, que é rico em urânio, para permitir que ficasse no poder indefinidamente.

O governo e a oposição vêm mantendo um diálogo intermitente desde dezembro para tentar resolver a crise política do país.

Tandja, ex-oficial do Exército, foi eleito pela primeira vez em 1999 e ganhou novo mandato em uma eleição em 2004.

Seu atual paradeiro é desconhecido, mas acredita-se que os soldados o estejam mantendo em uma base militar no subúrbio de Niamey.

O Níger vem vivendo longos períodos de regime militar desde que ficou independente da França, em 1960.

É um dos países mais pobres do mundo, mas os partidários de Tandja alegam que sua década no poder trouxe um grau de estabilidade econômica.

Em sua gestão, a empresa energética francesa Areva começou a trabalhar na segunda maior mina de urânio do mundo, investindo o que se estima ser US$ 1,5 bilhão no projeto.

A Corporação Nacional de Petróleo da China assinou em 2008 um contrato de exploração de petróleo de US$ 5 bilhões com o país e com duração de três anos.

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