EUA querem incentivar Brasil a pressionar Irã, diz Valenzuela

Arturo Valenzuela
Image caption Valenzuela disse que o Irã será um dos temas dicutidos no Brasil

O Secretário-assistente dos Estados Unidos para a América Latina, Arturo Valenzuela, afirmou nesta sexta-feira que seu país pretende encorajar o governo brasileiro a ter influência positiva sobre o Irã.

Durante conversa com jornalistas sobre a viagem da secretária de Estado, Hillary Clinton, à América Latina, na próxima semana, ele disse esperar que o Brasil estimule o Irã a reconquistar a confiança da comunidade internacional.

"O que nós queremos tentar dizer aos brasileiros é: se vocês têm compromisso com o Irã, realmente queremos enconrajá-los a usar o envolvimento de uma forma que leve os iranianos a cumprir suas obrigações internacionais fundamentais", assinalou.

"Se você não fizer isso, ficaremos desapontados. Se fizer, seria um passo importante."

Apoio na ONU

Tanto as visitas ao Brasil de Hillary, quanto a do subsecretário de Estado para Assuntos Políticos dos EUA, William Bruns – que está em Brasília nesta sexta-feira -, representam um esforço diplomático do governo de Barack Obama em reunir aliados para pressionar o Irã a por um fim ao seu programa de enriquecimento de urânio.

O governo americano confirmou que Burns e Clinton tentarão convencer o Brasil a mudar sua posição quanto à aprovação de sanções contra o país islâmico no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

"Não poderia negar que o Irã estará entre as principais questões a serem discutidas com o Brasil", confirmou Philip Crowley, porta-voz do Departamento de Estado na última quinta-feira.

"Estou certo de que o subsecretário Burns vai levar aos brasileiros as informações mais atualizadas sobre o processo P5+1 e que a secretária Clinton fará o mesmo nas reuniões que terá com o presidente e o ministro do Exterior brasileiros na próxima semana."

Responsável por consultas entre o P5+1 – o grupo formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França) mais a Alemanha para lidar com a questão nuclear iraniana -, Burns deverá tentar aproximar o Brasil da posição defendida pelos americanos.

Como o Brasil ocupa, atualmente, uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, o apoio do país é considerado importante para sustentar a posição dos EUA de que o Irã seja penalizado por se recusar a dar explicações mais detalhadas sobe seu programa nuclear.

O Brasil é um dos dez membros rotativos do Conselho e há algum tempo tem se manifestado contra a imposição de sanções contra o país islâmico.

Posição brasileira

Durante viagem a Cancún, no México, Lula defendeu a relação do Brasil com o Irã, afirmando que o objetivo é não encurralar e isolar o país.

"Nós queremos construir a possibilidade de ter a paz no mundo", disse. "Se queremos paz no mundo, não podemos deixar ninguém isolado."

O governo brasileiro defende o direito dos iranianos de desenvolver um programa nuclear próprio, desde que seja para fins pacíficos. Lula é favorável que a ONU busque o diálogo com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

Na ocasião, o presidente disse que o Brasil exporta US$ 1 bilhão e não compra nada dos iranianos. Lula assinalou que vistará o país em maio para fechar acordos comerciais.

Por outro lado, os EUA e alguns de seus aliados são contrários a iniciativa de Ahmadinejah de incluir no programa nuclear do país a produção de urânio enriquecido a um nível de 20%. Eles acreditam que a decisão disfarçaria a produção de armas nucleares.

Os iranianos, no entanto, garantem que o projeto tem finalidades pacíficas e está de acordo com as normas do Tratado de Não Proliferação Nuclear, do qual é signatário.

Hillary

Hillary Clinton inicia turnê pela América Latina no domingo. Além do Brasil, ela visitará o Uruguai, o Chile, a Costa Rica e a Guatemala.

Na segunda-feira, ela participa da solenidade de posse do presidente uruguaio, José Mujica. Depois, estará com a presidente chilena, Michelle Bachelet, e o presidente eleito, Sebastian Piñera.

Na quinta-feira, após a visita ao Brasil, participa de encontros com o presidente da Costa Rica, Oscar Arias, e a presidente eleita, Laura Chinchilla.

A última parada é na Guatemala, onde encontrará o presidente Álvaro Colom e participará de encontros com líderes da América Central e República Dominicana.

De acordo com Valenzuela, Hillary discutirá três temas principais com os líderes latino-americanos: como aumentar a competitividade dos países da região, segurança pública e qualidade de vida da população.

As viagens de Hillary e Burns antecedem a visita de Obama à região, que deverá ocorrer em meados do segundo semestre deste ano.